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  Título
A jornada dos heróis-cineastas em “A visita”
Autor
Álvaro André Zeini Cruz
Resumo Expandido
Em “A Visita”, de M. Night Shyamalan, Becca (Olivia DeJonge) e Tyler visitam pela primeira vez os avós maternos, a quem até então não conheciam por conta de um desentendimento familiar.

Becca, uma pretensa cineasta, decide desde o princípio gravar esse reencontro e transforma a viagem numa jornada do herói, cujo elixir, ela acredita, será o próprio filme, que irá curar os traumas da mãe. Mas como bons heróis da linguagem cinematográfica clássica, tanto ela quanto o irmão Tyler terão que cumprir uma jornada que fará com que eles próprios se transformem. A questão é que, dentro da estética do found footage – na qual a câmera está inserida na própria diegese –, ambos são mais do que personagens. São olhares lançados diante do mundo. São cineastas.

Nessa correlação entre irmãos, são protagonistas e, ao mesmo tempo, mentores um do outro. Becca é o olho meticuloso, que mira com a câmera antes mesmo de ter o tempo que o olhar demanda. Ela constrói o mundo para a lente; é a diretora que crê nas imagens, mas, paradoxalmente, vive também um trauma delas, já que não consegue encarar-se em espelhos (apenas no vídeo) e não aceita a imagem paterna, que recobra o abandono, nem na versão eletrônica.

Já Tyler, que vive os últimos suspiros da infância, tem um olhar liberto: quando empunha a câmera, vê, para em seguida – e se preciso –, estilizar o mundo através dos recursos da linguagem cinematográfica (como o contundente zoom que usa num momento singular). Ao contrário da irmã, Tyler para que a câmera é arma, Tyler não teme as imagens, mas sim o próprio mundo. Seus conflitos não envolvem as representações, mas o próprio corpo. Para ele, a câmera é escudo.

Corpo, imagem, mundo, elementos vitais à cena, colocados sob a dicotomia lançada por Godard entre o ver e o mirar. Em A visita, M. Night Shyamalan mais uma vez coloca em questão a própria mise en scène, alinhando-a a uma dupla jornada de transformação, proveniente do cinema clássico americano. Assim, esta exposição (que se desdobrará num artigo), pretende investigar os diálogos entre narrativa e estilo, corpo e imagem, no filme A visita, dando continuidade dentro do recorte acadêmico a elucubrações por mim iniciadas num texto crítico ao filme.
Bibliografia

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BLOCK, Bruce A. A narrativa visual: criando a estrutura visual para cinema, TV e mídias digitais. São Paulo: Elsevier, 2010.



BORDWELL, David. Figuras traçadas na luz. Campinas: Papirus, 2008.



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CRUZ, Álvaro André Zeini. A Visita. 2015. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2016.



____________, Luiz Carlos Gonçalves de. Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno -- São Paulo, 2015.