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  Título
Staffa e a exibição cinematográfica no Rio de Janeiro nos anos 10-20
Autor
Igor Andrade Pontes
Resumo Expandido
Esta comunicação aborda a acidentada trajetória do italiano Jácomo Rosário Staffa (1869-1927) no meio exibidor carioca, desde a abertura do Cinematógrafo Parisiense, a primeira grande sala de cinema inaugurada na antiga Avenida Central (depois Rio Branco) em 1907, até a falência de sua empresa cinematográfica em 1921. Para tanto, nos valemos de estudos sobre a exibição cinematográfica no Rio de Janeiro, engendrados por pesquisadores como Alice Gonzaga (1996) e José Inácio de Melo Souza (2004), adicionando novas informações sobre Staffa coletadas em periódicos cariocas contemporâneos, sobretudo no jornal Correio da Manhã. Staffa foi um dos principais agentes na formação de uma cultura cinematográfica no Rio de Janeiro, atuando também em São Paulo e outras cidades, durante o período silencioso. A análise de sua trajetória profissional nos possibilita conhecer melhor o passado da cinematografia no Rio de Janeiro - a compra de filmes no mercado internacional; a lógica da programação das salas do período; a distribuição de filmes no circuito local; as disputas de poder entre os exibidores; e os filmes que formaram o imaginário do público carioca durante o período silencioso - da hegemonia da cinematografia europeia, ao domínio dos filmes norte-americanos. Nesta comunicação, concentrando-nos nos anos 1910 e no início dos anos 1920, acompanhamos a trajetória de Staffa, de principal exibidor na cidade, a "persona non grata" entre os seus colegas a partir de meados da década, acusado de manobras desleais para assegurar o seu poderio. Com um mercado abalado pela Grande Guerra (1914-1918), e após falharem as suas tentativas de reerguimento por meio de reformas no Cinema Parisiense, e de fortes mecanismos publicitários, J. R. Staffa se afastou temporariamente dos negócios cinematográficos, para retornar de forma grandiosa e breve em 1921, declarando falência em seguida. De forma geral, este estudo preliminar é inspirado pelas propostas de Richard Maltby sobre histórias do cinema escritas "a partir de baixo". Para Maltby (2006, p. 91), o ponto de partida para a elaboração de tais narrativas seria a elaboração de mapeamentos detalhados e históricos da exibição cinematográfica em escalas locais, “nos dizendo o que os cinemas eram, onde e quando, amplificados por quaisquer evidências detalhadas que pudermos resgatar sobre a natureza e a frequência” desses cinemas; essas histórias locais do cinema “autoconscientes de suas próprias construções e mediações” poderiam auxiliar no entendimento da função cultural do cinema, e de performances de filmes específicos, podendo ser revelado em um estudo local “como seus habitantes consumidores explicavam a si mesmos e o seu lugar no mundo através de seus encontros com as forças da cultura global e globalizante”. Conforme o autor, "Os heróis dessas micro-histórias (...) serão os pequenos homens de negócios que atuaram como agentes culturais, navegadores e tradutores do middle ground construindo uma cultura híbrida a partir dos encontros de suas comunidades com o mediado mundo externo". Esta comunicação toma Jácomo Rosário Staffa como um desses "heróis" da história do cinema no Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX.
Bibliografia

GALDINI, Marcio. Italianos no cinema brasileiro. Archivio Storico dell'Emigrazione Italiana, nov. 2007. Disponível em . Acessado em: maio de 2016.



GONZAGA, Alice. Palácios e poeiras: 100 anos de cinemas no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Record/Funarte, 1996.



HEFFNER, Hernani. Lazer e sociedade nos primórdios da república brasileira: a inserção do cinema. In: FREIRE, Rafael de Luna (ed.). Curso de História do Cinema Brasileiro: primeiro módulo. Rio de Janeiro, Tela Brasilis, 2005, p. 1-15.



MALTBY, Richard. On the prospect of writing cinema history from below. Tijdschrift voor Mediageschiedenis, v. 9, n. 2, 2006, p. 74-96.



SOUZA, José Inácio de Melo. Imagens do passado: São Paulo e Rio de Janeiro nos primórdios do cinema. São Paulo: Senac, 2004.



______. A contribuição italiana ao cinema brasileiro. Revista do Festival Internacional de Cinema de Arquivo, v. 8, n. 8, nov. 2011, p. 10-17.