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  Título
Políticas de representação:Pratibha Parmar e feminismo negro no cinema
Autor
Ana Paula Silva Oliveira
Resumo Expandido
O objetivo desta comunicação é refletir sobre o feminismo negro no cinema a partir da obra da cineasta, escritora e militante feminista Pratibha Parmar. Para tal, serão analisados os textos e fragmentos de alguns filmes escritos e realizados por ela. Nascida no Quênia, tem seus trabalhos exibidos em vários festivais ao redor do mundo. De acordo com Parmar, para que seja possível refletir sobre as convenções da representação e sobre o processo de reinscrever a linguagem é necessário não apenas articular uma diferença cultural mas tentar desenvolver uma narrativa que crie uma identidade como mulher negra britânica, não “em relação à”, “ em oposição à”, mas que esteja imersa em suas próprias referências. Para a diretora, dessa forma, a narrativa consegue romper com a hierarquia entre o centro e a margem, rejeitando, desse modo, que as mulheres negras aceitem o seu lugar como um “Outro”. Sob essa perspectiva, rompe-se com uma relação de dominação como sujeitos pós-coloniais. Em seus trabalhos, busca uma linguagem visual autêntica e enfatiza a memória histórica das mulheres filmadas bem como os processos culturais das subjetividades negras. Seus filmes trazem histórias de mulheres que foram silenciadas. Entre eles, tem-se The Place of Rage (1991), um documentário sobre as mulheres afro-americanas que contam suas experiências de vida nos Estados Unidos. Nele, a escritora Angela Davis e a poeta June Jordan lembram do movimento pela conquista dos direitos civis e sua participação no movimento Panteras Negras, em 1970. Este filme foi elogiado pela crítica internacional e ganhou o prêmio de melhor documentário histórico no National Black Programming Consortium, nos Estados Unidos , em 1993. No filme Warrior Marks (1993) ,com a colaboração de Alice Walker, documenta a mutilação genital feminina. No filme biográfico Alice Walker: Beauty in truth (2011), conta ,de um modo poético, a história de vida da romancista vencedora do prêmio Pulitzer Alice Walker. Para Pratibha Parmar, pensar o cinema em articulação com as políticas de representação implica, de forma inevitável, refletir sobre questões de raça, gênero e sexualidade. Esses debates estão conectados com discussões e análises críticas da política cultural negra da Grã-Bretanha, assim como com certas tentativas de construção de marcos e parâmetros que permitem discutir a natureza e a necessidade de estéticas negras e críticas.
Bibliografia

Foster, Gwendolyn Audrey. Women Filmmakers of the African and Asian Diaspora: Decolonizing the Gaze, Locating Subjectivity. Carbondale, IL: Southern Illinois University Press, 1997.

LAURETIS, Teresa de “ A Tecnologia do gênero” In: Hollanda, Heloísa Buarque. Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

PARMAR, Pratibha. “ Feminismo negro: la política como articulación”. In: JABARDO, Mercedes (Org.). Feminismos Negros: una antología. Madrid: Traficantes de sueños, 2012