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  Título
Da história ao mito: os biopics de Henry Fonda e Daniel Day Lewis
Autor
Daiane Freitas Guimarães Gonçalves
Resumo Expandido
No estudo sobre o ator cinematográfico ainda há discussões carentes de análises, como é o caso do estudo sobre atuações em filmes considerados biopics, mesmo sendo um gênero muito utilizado nas grandes indústrias cinematográficas, ele ainda é uma categoria pouco explorada pelos estudos cinematográficos, pois segundo afirmações de Belén Vidal (2014) os filmes biopics não são bem vistos quanto a sua estética e que os classificam como fórmulas prontas de premiações, como exemplo, o Oscar.

Dessa forma, os estudos voltados a atuação biopic, acabam por se tornar escassos, por isso esse trabalho tentará visualizar os pontos principais que envolvem a caracterização do jogo atoral biopic. Levando em consideração a afirmação de Vidal “The actor is the cornerstone to the biopic’s edifice of historical allusion”, o ator é quem dá a força para a narrativa biográfica. Nesse sentido, será feita uma análise quanto o gestual de atores que interpretaram o mesmo personagem real o ex-presidente norte-americano, Abraham Lincoln. No caso, os atores Henry Fonda e Daniel Day Lewis, nos filmes Young Mr. Lincoln (1939) e Lincoln (2012), respectivamente.

Nesse contexto, pretende-se analisar o conceito de construção realista do personagem, já que para um biopic parte-se do pressuposto que o ator construirá seu personagem com elementos mais próximos possíveis da realidade, para que haja a verossimilhança com o ser biografado, no entanto, o caso de estudo, aqui expresso, leva em consideração a personagem viva que foi biografada, pois o presidente Lincoln sendo um indivíduo da primeira metade do século XIX, a construção que se tem desse personagem centra-se em relatos históricos e algumas imagens, não sabemos o seu comportamento real, seu tom de voz, ou seja, suas características efetivas físicas, sociais e psicológicas. Mas na afirmação de Belén Vidal é o ator que vai construir todo esse imaginário, a veracidade necessária para que o expectador acredite que Abraham Lincoln era daquela forma tal qual o filme evidencia, criando assim a memória social coletiva.

Em Lincoln de Spilberg, Day-Lewis deu vida ao que supostamente foi criado no imaginário do expectador, a semelhança física foi muito próximo à imagem que conhecemos do ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln. No entanto, o que a história não consegue nos dá efetivamente Lewis construiu, através de formas corporais, expressões e tom de voz, que criou uma memória social coletiva a respeito de Lincoln, pode-se dizer que a representação de Lewis consolida o mito Lincoln. Já em outra linha temos o ator Henry Fonda que dará vida a um Lincoln na juventude. E esse contexto foi explorado no filme de Ford, para representar a transição do jovem Lincoln histórico para o Lincoln mito. Percebe-se em sua atuação registros mais contidos, seguindo uma outra linha do que foi abordado por Lewis.

A partir dessas reflexões serão feitas análises atorais de comparação entre Henry Fonda e Daniel Day Lewis na construção da figura do Lincoln. Tendo como base as análises do gestual desenvolvidas por Christophe Damour, em especial do artigo “Paon ou caméléon ? L’acteur face à l’incarnation du personnage réel” presente na coletânea Biopics: de la realité à la fiction. Dessa forma, será levantada uma abordagem de discussão ainda pouco desenvolvida sobre a atuação biopic, em especial com o que condiz na importância das escolhas do ator para categorizar o filme como biopic.
Bibliografia

BROWN, Tom; VIDAL, Bélen. The biopic in contemporany film culture. New York and London: Taylor & Francis Group, 2014.

CHESHIRE, Ellen. Bio-pics: a life in pictures. United States of America: Columbia University Press, 2015

CUSTEN, George F. Bio/Pics: How Hollywood Constructed Public History. United States of American: Library of Congress, 1992.

DAMOUR, Christophe Damour. Al Pacino: le denier tragédien. Collection Jeux d'acteurs. France: Scope Editions, 2009.

FONTANEL, Rémi. Biopic: de la realité à la fiction. CinémAction. v. 139, 2011.

LINCOLN. Direção: Steven Spilberg. [S.I.]: Touchstone Pictures, 2012. (2h 30 min).

SICINSKI, Michael. Truthiness is strangerthan fictition: the “New Biopic”. In: The Wiley-Blackwell History of American Film, First Edition, 2012.

SMYTH, J. E. Hollywood as historian, 1929 – 1945. In: The Wiley-Blackwell History of American Film, First Edition, 2012.

YOUNG Mr. Lincoln. Direção: John Ford. [S.I]: Twentieth Century Fox Film Corporation. 1939 (1h 40 min).