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  Título
O estilo sutil: distinções de estilo nos sitcoms multicâmera All in th
Autor
Christian Hugo Pelegrini
Resumo Expandido
Desde o início das transmissões regulares de TV nos EUA, os sitcoms tem posição garantida nas grades de programação. Sua frequência, no entanto, não era, necessariamente, sinônimo de variedade em termos de situações e perfis de personagens. Sub-grupos de programas compreendiam famílias WASPs um tanto conservadoras, seres tão mágicos quanto atrapalhados, monstros "gente boa" e pequenas variações em torno de tais temas. No sitcom, como no resto da TV, repete-se o ciclo de inovação-repetição-saturação criativa em ondas que vem e passam. No entanto, muito mais repetitivo que as matrizes temáticas a gerar os programas é sua dimensão formal, em especial os regimes de filmagem e edição.



A partir das técnicas desenvolvidas por Karl Freund para a produção de I Love Lucy, esse modo de se produzir sitcoms tornou o hegemônico na indústria de TV e as técnicas de filmagem e edição acabam se confundindo com o gênero. Para além de sua pervasividade, cabe apontar que o modo de produção multicâmera, adotado na gravação de programas até hoje, é uma forma com pouca margem para variação, reduzindo as possibilidades de estilo a ponto de autores qualificarem o sitcom multicâmera como "grau zero de estilo". Em termos comparativos, o sitcom multicâmera é, guardadas as óbvias proporções, uma espécie de "mostração" mais elaborada (no sentido que Gaudreault dá ao termo)



Em recentes pesquisas (PELEGRINI, 2014; PELEGRINI, 2015), corroboramos com tal afirmação, na medida em que abordamos o sitcom de câmera única e nos detemos na emergência de uma serialização de estilo após o ano 2000. No entanto, se o sitcom multicâmera parece, de fato, desprovido de estilo quando comparado ao câmera única (e aos demais gêneros da TV), nossa reflexão propõe agora analisar se não existiriam distinções e marcas de estilo entre diferentes sitcoms multicâmera. Nossa hipótese é que aquilo que parece ausência de estilo quando observado à luz do estilo proeminente da TV pós anos 80, é de fato uma variação bastante sutil, que só se revela quando comparada aos seus congêneres.



Para tal, propomos comparar dois programas antológicos no gênero: All in The Family e The Mary Tyler Moore Show. Tomando um número de episódios definidos por métodos estatísticos, elencaremos parâmetros de análise que constituem, usualmente, o estilo de textos audiovisuais, dando atenção, também, aos parâmetros que sejam especialmente relevantes no contexto do sitcom multicâmera.



Assim, nossa análise vai observar elementos como tipos e dimensões dos enquadramentos, marcações de atores e câmeras, movimentação de câmeras, iluminação, aspectos de cenografia, posicionamento dos atores e performance corporal, impostação de voz dos atores, andamento e ritmo dos diálogos, duração dos planos/número de cortes e outros parâmetros que se mostrarem pertinentes no decorrer da análise.



Nosso trabalho pretende escrutinar os programas em busca de diferenças na sua manifestação sensível e estabelecer possíveis vínculos com a dimensão narrativa (de cada episódio e, eventualmente, da premissa dramática do programa como um todo).



A análise deve se pautar pelo arcabouço bibliográfico acerca da estética televisual, bem como em livros e textos técnicos sobre produção de programas de TV. Também devemos recorrer a registros de profissionais técnicos e artísticos envolvidos no programas através de biografias ou de entrevistas escritas e/ou em vídeo (e.g. os Archives of American Television).



Esta pesquisa é uma ramificação da pesquisa atualmente em curso no Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de fora, intitulada Reconfigurações Narrativas e de Estilo em Sitcoms de Câmera Única Contemporâneos.
Bibliografia

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