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  Título
O corpo como lugar de experimentação nos filmes de Leos Carax
Autor
Isabel Veiga
Resumo Expandido
Leos Carax realizou cinco longas-metragens e sete curtas-metragens desde 1980. Pode parecer pouco em se tratando de mais de três décadas, porém os longos intervalos entre a produção de um e outro filme dizem muito sobre a capacidade de reinvenção do realizador dentro de sua própria obra. Vamos nos ater principalmente aos três últimos longas dirigidos pelo diretor, por considerar que estes englobam as principais questões deste trabalho. São eles: Os Amantes da Pont-Neuf (Les Amants du Pont Neuf, 1991), com a dupla Denis Lavant-Juliette Binoche; Pola X (1999), com a dupla Guillaume Depardieu e Yekaterina Gobuleva; e Holy Motors (2012), com Denis Lavant.



Iremos investigar como, nesses filmes, certos procedimentos de deformação, mutilação, desintegração, recomposição e transfiguração são utilizados e de que maneira eles tensionam a própria ideia de forma-Homem ou corpo orgânico. A escolha por esse conjunto de filmes se dá na medida em que acreditamos que o cineasta trabalha de forma singular e original a expressividade do corpo, assumindo-o como territórios de experimentações e espinha dorsal das narrativas.



Algumas perguntas podem ser tomadas como norte para essa investigação: o que esses corpos estão liberando para o mundo (em imagens, em sensações)? Como se dá a utilização desses corpos no interior da narrativa? Ou no que a narrativa depende deles? Do que eles são feitos? Quais são suas características e particularidades? De que maneira eles tensionam a forma-Homem?



Se é de corpos estranhos nos limites da loucura e da morte, e da força de administração das vidas pelas instituições (nesse caso um abrigo para mendigos, um hospital e posteriormente a prisão) que estamos vendo aparecer nos filmes de Leos Carax, o pensamento de Michel Foucault é de fundamental importância para refletirmos sobre a biopolítica, o constante embate com as instituições (família, prisão, hospital, escola, Estado) e as possíveis linhas de fuga criadoras de novos modos de existência.



Pretendemos, portanto, fazer um breve panorama da obra do diretor Leos Carax contextualizando-o historicamente, e apontando também para como o uso do corpo assume lugar central desde seus primeiros filmes, considerando suas continuidades e rupturas. Ainda, perceber como são utilizados e desenvolvidos os procedimentos de deformação, metamorfose e transfiguração ao longo das narrativas. E por fim, investigar quais são as implicações éticas e estéticas que surgem a partir do tensionamento do corpo orgânico e da forma-Homem a partir dos filmes em questão.
Bibliografia

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