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  Título
Presença da direção de arte nos cursos de cinema e audiovisual latina
Autor
TAINA XAVIER PEREIRA HUHOLD
Resumo Expandido
Na sua “Carta aos jovens cineastas”, o cineasta, crítico e professor Maurice Capovilla faz uma pergunta que ressoa nesse projeto de pesquisa: “Para que servem as escolas de cinema no Brasil?”. O presente trabalho se propõe a investigar a inserção da direção de arte no ensino de cinema na América Latina. Ainda assim a resposta do cineasta segue válida: “é na escola que alunos e professores aprendem a aprender... a fazer e viver o cinema” (CAPOVILLA in MARQUES et alii, 2015). Com a inclusão da habilidade de cenografia e figurino nas novas diretrizes do MEC para o ensino de audiovisual, alguns cursos superiores brasileiros instituem componentes curriculares para atender a essa demanda em suas matrizes. Nesse processo, criam-se inéditas oportunidades de formação de professores/pensadores, investigação de referenciais teóricos, metodologias e processos pedagógicos de abordagem da direção de arte no conjunto da formação audiovisual.

A direção de arte se consolida como um campo autônomo dentro da equipe audiovisual atendendo às necessidades de divisão industrial do trabalho, especialmente na consolidação dos estúdios de Hollywood. Na América Latina, ao longo da primeira metade do século XX, em diferentes épocas e contextos, México, Argentina e Brasil veem surgir e desenvolver-se, com maior ou menor regularidade, inciativas de produção cinematográfica em modelos industriais, cujos cenários e figurinos eram criados profissionais estrangeiros e locais, muitas vezes egressos do teatro, das escolas de belas artes ou da arquitetura. É a partir dos anos 1960 que um pensamento compartilhado a respeito da razão de ser do cinema abaixo dos Estados Unidos se articula. Em 1967, no Festival de Viña del Mar, discutem-se aspectos abrangentes da realização cinematográfica latino-americana, questiona-se o modelo de produção industrial e buscam-se iniciativas de fortalecimento e articulação das cinematografias nacionais que se oponham à situação de dominação colonial econômica e cultural, cujos os mercados eram totalmente ocupados pelo filme estadunidense. A formação aparece nesse contexto como um desafio a ser enfrentado. Desde o surgimento da primeira escola de cinema na Argentina em 1956 até o aumento no número de instituições que se verifica a partir dos anos 1990, a formação em cinema e audiovisual na América Latina lida com a vulnerabilidade da produção audiovisual em escala industrial nesta região.

Por oferecer espaços de diálogo e experimentação em diversas áreas de atuação na produção da obra audiovisual, seriam as instituições superiores de ensino, em geral um espaço fértil para essas investigações? A escolha de um território de pesquisa que contemple todo o subcontinente latino-americano tem por objetivo investigar diferentes propostas pedagógicas e seus diálogos com maiores ou menores graus de industrialização da produção audiovisual.

Para efetivação de tal tarefa lidaremos com as dificuldades de uma abordagem transnacional diante da diversidade intrínseca à ideia de América Latina. Um olhar atento à grande diversidade de projetos educacionais, de perfis de cursos e de mercados audiovisual permeará toda a pesquisa.

Acreditamos que o presente projeto de pesquisa possa verificar que a inclusão obrigatória de componentes curriculares do campo da direção de arte em cursos superiores de cinema e/ou audiovisual amplia o repertório de procedimentos estéticos a serem mobilizados na criação da obra audiovisual. Esse processo se dá através da valorização das possibilidades significativas da linguagem visual na estruturação do profílmico por todas as equipes envolvidas, de forma a tais possiblidades serem exploradas desde o roteiro até a finalização.
Bibliografia

AFFRON, Charles; AFFRON, Mirela Jona. Sets in motion. Art direction and film narrative. New Jersey: Rutgers University Press, 1995.

CAIRO, Heriberto; DE SIERRA, Gerónimo. América Latina, una y diversa: Metodos para su análisis. Costa Rica: Alma Mater, 2008.

GETINO, Octavio. Cine Iberoamericano: los desafios del nuevo siglo. Buenos Aires: Fundación Centro Integral Comunicación, Cultua y Sociedad, 2007.

PARANAGUÁ, Paulo. Tradición y modernidad en el cine de América Latina. Madrid: Fondo de Cultura Econômica de España, 2003.

TAMAYO, Augusto; HENDRICKX, Nathalie. La dirección de arte en el cine peruano. Lima: Universidad de Lima, Fondo editorial, 2015.

Periódicos

MARQUES, Aída; RODRIGUES, Luciana (Eds.). Cadernos do FORCINE. Fórum Brasileiro de Ensino do Cinema e Audiovisual. 2014

MARQUES, Aída et alii. (Eds.). Cadernos do FORCINE. Fórum Brasileiro de Ensino do Cinema e Audiovisual. 2015