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  Título
Napoleã do Crime: Implicações da Mudança de Gênero em Moriarty
Autor
Larissa Bougleux
Coautor
Maria Eduarda Rodrigues
Coautor
Fabio Coura de Faria
Resumo Expandido
Esta apresentação abordará a representação subversiva da caracterização de personagem na adaptação da literatura para a televisão. O interesse deste estudo situa-se na célebre história de Sherlock Holmes e seu arquinimigo, Moriarty, com enfoque de caracterização no personagem Moriarty. No âmbito literário, analisaremos o professor James Moriarty através do conto que o apresenta, O Problema Final (1893) de Sir Arthur Conan Doyle, e no âmbito televisual, examinaremos a única versão feminina do professor já retratada, Jamie Moriarty, através da análise de um episódio da série Elementary (2012-) criada pelo produtor Robert Doherty. Entitulado “A Napoleã do Crime,” este estudo focará na adaptação intermediática do famoso personagem nêmesis do detetive Vitoriano. Sherlock Holmes repetidamente alude ao seus arquinimigo como “O Napoleão do Crime” e esta apresentação tem como interesse principal observar a única versão feminina criada deste Napoleão. Investigaremos as duas personagens através da sua caracterização direta e indireta no conto e no episódio televisivo. Na última mídia, utilizaremos primordialmente a análise de cinematografia, edição, mise-en-scène e som como sustentáculo para o estudo da caracterização da personagem. Com base no conceito de hegemonia articulada por Antonio Gramsci (1971), de hegemonia-alternativa desenvolvida por Raymond Williams (1977) e de teoria feminista proposta por Susan Faludi (1991), investigaremos o impacto político dentro do escopo feminista da mudança na caracterização da personagem Moriarty num estudo comparativo entre literatura e televisão. Também traremos a ideia proposta por Teresa de Lauretis (1987) quando se refere ao cinema como “tecnologia do gênero”, ou seja, um aparato social imbricado com representações de gênero que impactam concretamente na “vida material das pessoas” (p. 209). A fim de entender este contraste de personagens e ideologias por elas apresentadas, utilizaremos ainda a discussão que Andrew Bennett e Nicholas Royale (2009) propõem a respeito da proeminência da caracterização dentro do contexto narratológico da literatura, a sua acentuação na passagem intermediática para a televisão discutida por Kristin Thompson (2003) bem como a articulação que Mimi White (1992) preconiza sobre ideologia e televisão. Por meio deste suporte teórico, contrastaremos a análise da personagem no contexto do hipertexto literário com o hipotexto televisivo a fim de observar se há uma repercussão política nessa representação de uma Moriarty mulher no âmbito feminista. Levantaremos, assim, um questionamento crítico a respeito da atual discussão sobre o papel da mulher neste momento pós-moderno. Esta apresentação, por fim, busca fomentar debates a respeito de como o feminismo materializa-se social e midiaticamente perante contra-ataques que visam silenciar a agência da mulher dentro e fora do âmbito representativo.
Bibliografia

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BENNETT, A; N, ROYALE. An introduction to Literature, Criticism and Theory. Edinburgh Gate: Pearson Education Limited, 2004. p. 63-79.

DE LAURETIS, T. Technologies of Gender: Essays on Theory, Film and Fiction. Bloomington: Indiana U. Press. 1987. p. 165.

DOYLE, A.C. The Complete Sherlock Holmes. New York: Barnes & Noble, 2009. p. 438-449.

FALUDI, S. Backlash in Popular Culture. In: Backlash: The Undeclared War Against American Women. New York: Crown, 1991. p. 565.

GRAMSCI, A. Selections from the Prison Notebooks. Tradução de Quentin Hoare e Geoffrey Nowell Smith. London: Lawrence & Wishart, 1971. p.506-556.

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WILLIAMS, R. Marxism and Literature. Oxford: Oxford University Press, 1977. p.108-114.

WHITE, M. Channels of Discourse, Reassembled: Television and Contemporary Criticism. New York, London: Routledge, 1992. p. 408