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  Título
Reflexividade na obra televisual de Charlie Brooker: caso Black Mirror
Autor
Letícia X. L. Capanema
Resumo Expandido
Autorreferência, metalinguagem e reflexividade são aspectos que marcam a produção audiovisual de Charlie Brooker, escritor e produtor da televisão britânica. Brooker, que iniciou sua carreira como crítico de televisão, produziu um notável repertório de produções televisuais que variam entre documentários, programas de humor e séries de ficção. Dentre seus trabalhos mais significativos, destacam-se: Screenwipe (2006 - 2009), no qual Brooker exercita a crítica, já praticada em coluna fixa no jornal diário The Guardian, em formato de programa televisual; How TV Ruined Your Life (2011), documentário que desconstrói os programas exibidos pela BBC por meio de humor satírico; e Black Mirror (2011-2014), série de ficção sobre o futuro próximo e distópico das tecnologias de comunicação. A partir do conjunto da obra televisual de Brooker, pretendemos abordar a relação entre reflexividade e complexidade narrativa, particularmente a partir da análise de sua última produção, Black Mirror. A configuração narrativa da série, permite-nos o exame de estratégias autorreferênciais, como as construções em abismos, que serão mais detidamente analisadas no episódio especial de segunda temporada, intitulado White Christmas (2014).



Nossa argumentação teórica sobre a relação entre narrativa complexa e autorreferência se inspira nos estudos de Afonso Romano de Sant'Anna (1979) e de diversos outros autores que também tematizam a autorreferência nos campos da literatura, do cinema e da televisão. O princípio da autorreferencialidade, seus tipos, modos e níveis de atuação são por nós explorados com base nas abordagens de Werner Wolf (2009) e de Winfried Nöth (2007). O primeiro nos apresenta uma leitura narratológica do fenômeno da autorreferência; o segundo, uma abordagem semiótica. Outros autores são também invocados, de modo complementar, para melhor esclarecer conceitos específicos relacionados a nosso tema.



Aprofundamos, de modo particular, a investigação sobre a presença das estratégias autorrefenciais e seus efeitos no campo da televisão. Nesse sentido, trataremos da mise en abyme enquanto recurso narrativo presente em Black Mirror pelo viés de seu potencial de complexificação da ficção. Nosso objetivo é examinar esse fenômeno na narrativa televisual, buscando compreendê-lo como duplicação especular no interior de uma mesma obra.
Bibliografia

ALLRATH, Gaby; GYMNICH, Marion. Narrative Strategies in Television Series. Londres:Palgrave MacMillan, 2005.



CAPANEMA, Letícia. Autorreferencialidade Narrativa: um estudo sobre estratégias de complexificação na ficção televisual. Tese de doutorado, PUC/SP, 2016.



DÄLLENBACH, Lucien. Le Récit spéculaire. Essai sur la mise en abyme. Paris: Seuil, 1977.



MITTEL, Jason. Complex TV: the poetics of contemporary television storytelling. Nova York: NYU Press, 2015.



MUNGIOLI, Maria Cristina Palma; PELEGRINI, Christian. Narrativas complexas na ficção televisiva. Revista Contracampo, n. 26, p. 21-37, 2013.



NÖTH, Winfried; BISHARA, Nina. Self-reference in the media. Berlim: Walter de Gruyter, 2007.



SANT'ANNA, Affonso Romano de. Análise estrutural de romances brasileiros. Petrópolis: Vozes, 1979.



WOLF, Werner. Metareference across media: The concept, its transmedial potentials and problems, main forms and functions. In: Metareference across media: theory and case studies.Amsterdã: Rodopi, 2009