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  Título
De quadro a quadro - uma abordagem metodológica de análise fílmica
Autor
Ana Paula Nunes
Resumo Expandido
Nas palavras de Paula Sibilia (2012), vivemos tempos de dispersão, em que as novas subjetividades, forjadas em consonância com os múltiplos aparatos tecnológicos da contemporaneidade, não se habituam mais ao confinamento disciplinar do modelo de escola moderna. O que poderia produzir uma tensão produtiva de resistência, configura-se, em vez disso, com a estima da sobrevivência em rede. A autora conclui que é preciso "inventar novas armas", que as tecnlogias não são garantia de sucesso escolar, mas sim, "espaços de encontro e diálogo".

Jesus Martín-Barbero (2009, 2009a, 2009b) recompôs seu “antigo” mapa das mediações – institucionalidade, socialidade, ritualidade e tecnicidade – para dar visibilidade às mutações culturais, substituindo institucionalidade/ socialidade por identidade/ cognitividade. E destacou que vivemos, atualmente, a “institucionalidade” da tecnicidade, isto é, o adensamento da comunicação em todas as formas culturais e sociais da vida cotidiana, concebendo novas subjetividades. Mas o cerne da comunicação, para o autor, não está nos meios, mas nas formas mestiças da mídia, na “intermedialidade”, um conceito para pensar a hibridação das linguagens e dos meios – o celular que funciona como vídeo, televisão, computador, jogo, mapa e telefone, dentre outras coisas. Portanto, nas palavras de Martín-Barbero e German Rey: “Se já não se escreve, nem se lê como antes, é porque tampouco se pode ver, nem expressar como antes.” (2001, p. 18)

Para Bergala (2015), a transformação digital é uma verdadeira “mutação antropológica”. O uso intensivo da internet gerou uma nova forma de se relacionar com as imagens: assistir a um filme inteiro sem interrupção, não é mais a prática "normal" das gerações mais jovens. Nem mais a sala de cinema condiciona o visionamento contínuo do filme, porque segundo o autor, mesmo nas sessões do Festival de Cannes, os espectadores intercalam o olhar entre a grande tela do filme e a pequena tela de mensagens pessoais.

Os autores estão em consonância ao compreender que esta tecnicidade audiovisual das novas subjetividades - a acelerada montagem aleatória, prática generalizada de comutação e simultaneidade de várias telas - irá desenvolver novas formas de inteligência sobre a imagem, mas ainda não sabemos como.

Em acordo com Bergala (2015), acreditamos que o processo de ensino-aprendizagem deve ser, mais do que nunca, a criação de pontes entre as idéias e a memória, entre os fragmentos e os filmes. Educar é tecer uma rede entre o passado e o presente. E a experiência com o cinema pode contribuir muito neste processo de mediação cultural.

Esta comunicação dará ênfase a uma abordagem metodológica de análise fílmica para contextos escolares, sistematizada em doutoramento, que configura esse “entre-lugar” do cinema e audiovisual entrelaçado à educação, como uma ponte de quadro a quadro.
Bibliografia

BERGALA, Alain. Journée Film Education in Europe. Paris: Cinémathèque Française, 19 de junho 2015. Disponível em: https://filmliteracyadvisorygroup.wordpress.com Acessado em: 03set. 2015

BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. 6. ed. SP: Perspectiva, 2007.

MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações – comunicação, cultura e hegemonia. 6.ed. RJ: Editora UFRJ, 2009.

______. As formas mestiças da mídia. Pesquisa FAPESP Online, edição 163, p. 10-15, setembro 2009a. Entrevista concedida à Mariluce Moura.

______. Uma aventura epistemológica. Matrizes, v. 2, n. 2, p. 143-162, 2009b. Entrevista concedida à Maria Immacolata Vassalo de Lopes.

MARTÍN-BARBERO, Jesús e REY, Germán. Os exercícios do ver: hegemonia audiovisual e ficção televisiva. SP: Senac, 2001.

SIBILIA, Paula. Redes ou paredes: a escola em tempos de dispersão. RJ: Contraponto, 2012.