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  Título
A Mostra de Tiradentes e o cinema brasileiro: rastros de uma recepção
Autor
Rafael Oliveira Carvalho
Resumo Expandido
A Mostra de Cinema de Tiradentes solidificou-se nos últimos anos no cenário de mostras e festivais de cinema que se espalharam pelo Brasil. Como programação dedicada ao cinema brasileiro mais arriscado e arrojado, o evento tem sido cada vez mais respeitado e admirado pelo rigor da curadoria no processo de escolhas dos filmes, bem como pelo recorte que criou em torno da porção de cinema brasileiro que se privilegia nessa janela de exibição já tão significativo na cultura cinematográfica brasileira.

Nosso objetivo aqui é fazer um estudo localizado da recepção crítica dos filmes da Mostra Tiradentes, com foco na edição de 2016. Para tanto, nos concentraremos na cobertura realizada pela Revista Cinética e pelo Adoro Cinema, ambos veículos online dedicados à produção de conteúdo sobre cinema, com ênfase na crítica das obras. Trata-se de veículos com linhas editoriais distintas e que produziram robusto material crítico sobre os filmes nacionais exibidos na Mostra.

Interessa-nos saber como ambos os veículos lidaram com a produção de discursos críticos sobre os filmes nacionais, tecendo consideração sobre a própria produção e, a saber, uma concepção de cinema muito particular, representada pelos filmes selecionados pela Mostra. Ao mesmo tempo, de que modo identificaram nesse recorte uma proposta de olhar curatorial muito específico que caracteriza a Mostra Tiradentes como espaço de exibição e reflexão sobre os filmes nacionais. E num sentido mais amplo, como o próprio exercício da crítica de cinema pode ser pensado na prática, sob a luz das questões levantadas em torno da produção crítica feita para a web e difundida no ciberespaço (FREY; SAYAD, 2015).

Pensando na atividade crítica como vigoroso vestígio de recepção (STAIGER, 2000; BAMBA, 2013) e sendo o crítico aquela figura que angaria status para poder falar com propriedade sobre as obras (CUNHA, 2004), espelhamo-nos aqui nos estudos que buscam identificar certas marcas representativas a partir da recepção crítica da obras ou de um conjunto de obras (GOMES, 2015; ALTMANN, 2010; FIGUÊIROA, 2004).
Bibliografia

ALTMANN, Eliska. O Brasil imaginado na América Latina: a crítica de filmes de Glauber Rocha e Walter Salles. Rio de Janeiro: FAPERJ, 2010.



BAMBA, Mahomed (Org.). A recepção cinematográfica: teoria e estudos de caso. Salvador: EDUFBA, 2013.



CUNHA, Tito Cardoso e. Argumentação e crítica. Coimbra: MinervaCoimbra, 2004.



FIGUÊIROA, Alexandre. Cinema Novo: a onda do jovem cinema e sua recepção na França. Campinas: Papirus, 2004.



FREY, Mattias; SAYAD, Cecilia (Orgs.). Film criticism in the digital age. London: Rutgers University Press, 2015.



GOMES, Regina. O cinema brasileiro em Portugal (1960-1999): uma análise da crítica de filmes brasileiros na imprensa lisboeta. Salvador, EDUFBA, 2015.



LEENHARDT, Jacques. Crítica de arte e cultura no mundo contemporâneo. In: MARTINS, Maria Helena (Org.). Rumos da crítica. 2ª ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo: Itaú Cultural, 2007.



STAIGER, Janet. Perverse spectators: the practices of film reception. New York: New York University Press, 2000.