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  Título
A Índia imaginada por Rossellini e Pasolini.
Autor
Flávio Costa Pinto de Brito (Flávio Kactuz)
Resumo Expandido
Esse trabalho se propõe a realizar uma análise comparativa entre os filmes India: Matri Bhumi (1959) de Roberto Rossellini e Appunti per un film sull'India (1968) de Pier Paolo Pasolini, filmes pouco lembrados, mas de grande relevância para compreendermos alguns marcos e reorientamentos significativos na filmografia desses dois realizadores. Afinal, para Rossellini a viagem de 10 meses, realizada entre 8 dezembro de 1956 e 21 de outubro de 1957, resultou no fim da parceria artística e amorosa com Ingrid Bergman, despertou um evidente interesse enciclopédico sobre temas referentes à ciência, filosofia, história, sociologia e outros modelos civilizatórios, além de um engajamento decisivo com a televisão, para a qual desenvolveu inúmeros projetos até seus últimos anos de vida. Para Pasolini, o encontro com a Índia se fez em dois tempos igualmente significativos, primeiramente, ao final de 1960, antes mesmo de concluir Accattone, registrando suas primeiras impressões no livro L’odore dell’India em 1962. A segunda viagem, realizada entre dezembro de 1967 e janeiro de 1968, resultou no documentário Appunti per un film sull'India e fazia parte de um ambicioso projeto sobre o Terceiro Mundo, que apesar de nunca realizado está no cerne de suas questões estéticas e políticas. Contudo, a opção pela análise comparativa desses dois documentários se faz menos pelo teor de realidade, veracidade ou autenticidade no retrato indiano e mais naquilo que revela de particular do olhar de cada autor, isto é, o que podemos perceber sobre um determinado discurso orientalista (SAID,2003 p.29) construído por cada cineasta italiano frente às questões de radical alteridade encontradas no país asiático. O quanto cada um foi afetado por esse encontro e o quanto se contaminou ou se desvencilhou de outros relatos. Nesse sentido vale pensar como a Índia foi imaginada por Rossellini e Pasolini e não o que de fato presenciaram por lá, o quanto esses filmes podem nos revelar sobre o discurso de uma Índia imaginada, tão longe ou próxima de antigos relatos sobre as viagens ao oriente ou, como assinala Benedict Anderson (2008, p.33). “As comunidades se distinguem não por sua falsidade/ autenticidade, mas pelo estilo em que são imaginadas..."
Bibliografia

ANDERSON, Benedict. Comunidades Imaginadas: reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo. São Paulo: Cia das Letras, 2008.APRÁ, Adriano. Roberto Rossellini: Il mio método. Venezia: Marsilio,1987. BHABHA, Homi (Org.) Nación y narración. Buenos Aires: Siglo Veintiuno, 2010. CAMINATI, Luca. Orientalismo eretico: Pier Paolo Pasolini e il cinema del terzo mondo. Genova: Bruno Mondadori, 2007_______Roberto Rossellini documentarista. Roma: Carocci editore, 2012. PASOLINI, Pier Paolo. Saggi sulla politica e sulla società. Milano: Arnoldo Mondadori, 1999.________Per il cinema – Vol I e II. Milano: Arnoldo Mondadori, 2001. RONDOLINO, Gianni. Rossellini. Torino: UTET, 1989. SAID, Edward. Orientalismo. O Oriente como invenção do Ocidente. São Paulo: Cia das Letras, 2007._______ Cultura e Imperialismo. São Paulo: Cia das Letras, 2011. STAM, Robert; SHOHAT, Ella Crítica da imagem eurocêntrica: Multiculturalismo e representação. São Paulo: Cosac Naify, 2006.