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  Título
O “gringo” é outro: pandeiristas e seus peculiares “mundos” no cinema.
Autor
Suzana Reck Miranda
Resumo Expandido
Em 1948, uma reportagem de Orlando Portela na Revista Carioca, intitulada “O pandeiro invade Hollywood”, destaca o sucesso de Russo do Pandeiro - um “rapagão de olhos azuis, de tipo saxônico (...) e que toca pandeiro como ninguém” - em produções cinematográficas hollywoodianas. Seis anos depois, em 1954, uma curta nota na Revista do Rádio informa que: “está doente em Hollywood o artista Gringo do Pandeiro. É aquele rapaz alto e louro, ex-integrante do conjunto musical Anjos do Inferno”. A próxima edição desta mesma revista fez uma correção, em uma pequena matéria, na qual relata que o cronista Gui Barroso informou que o Gringo do Pandeiro que está doente nos Estados Unidos “é outro”.



Esta confusão não foi à toa: entre o final da década de 1940 e meados de 1950, três pandeiristas brasileiros atuaram em palcos e telas norte-americanas quase sempre sem receberem os devidos créditos: Russo do Pandeiro, Russinho e Gringo do Pandeiro. Para aumentar a confusão, os três também participaram de filmes brasileiros e, Russinho, de filmes mexicanos.



A partir da trajetória destes três músicos, pretendo, nesta comunicação, dar continuidade à reflexão que venho desenvolvendo sobre músicos secundários em filmes. Muitas vezes “invisíveis” e “inaudíveis”, estes coadjuvantes promovem um rico aporte interpretativo pois evocam encontros intermediais e diálogos transnacionais ainda mais complexos que os já descritos em minhas comunicações anteriores (sobre os violonistas José do Patrocínio Oliveira e Nestor Amaral).



Esta pesquisa integra o projeto colaborativo “Toward an Intermedial History of Brazilian Cinema: Exploring Intermediality as a Historiographic Method” desenvolvido por docentes da Universidade de Reading, no Reino Unido, e da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). O meu recorte, que observa filmes a partir das suas músicas e músicos, centra-se em alguns instrumentistas que participaram de musicais brasileiros dos anos 1930 e 1940, nas suas relações com o rádio, com a indústria fonográfica e com números musicais do cinema Hollywoodiano das décadas de 1940 e 1950. O principal objetivo é observar o que os músicos coadjuvantes - nos momentos musicais de alguns filmes - podem nos “dizer” sobre o cruzamento destes diferentes meios.
Bibliografia

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NAGIB, Lucia and JERSLEV, Anne (eds.). Impure cinema: intermedial and intercultural approaches to film. London/New Youk: I.B. Tauris, 2014.

SANDOVAL-SANCHEZ, Alberto. José, can you see? Latinos on and off Broadway. Madison: University of Wisconsin Press, 1999.

TINHORÃO, José Ramos. O Samba agora vai... A farsa da música popular no exterior. São Paulo: Editora 34, 2015 (2a ed.).



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