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  Título
A escola francesa de som direto: Antoine Bonfanti e Jean-Pierre Ruh.
Autor
Sérgio Puccini Soares
Resumo Expandido
A comunicação irá abordar aspectos ligados a tradição do som direto no cinema francês a partir de dois de seus principais representantes, os técnicos Antoine Bonfanti e Jean-Pierre Ruh. Tendo como base material coletado em projeto de pesquisa sobre Antoine Bonfanti, financiado pela FAPEMIG, pretende-se abordar questões de ordem estéticas e metodológicas, relacionadas à prática da filmagem, além de implicações teóricas relacionadas a valorização do som direto observada em cineastas como Jacques Rivette, Jean Eustache e Éric Rohmer, do qual Ruh foi um colaborador fiel.

Em livro Technique et création au cinema (CHION, 2002), retomando assunto que já havia tratado em Le son au cinema (CHION, 1985), Michel Chion problematiza o que ele chama de uma abordagem “monolítica” adotada pelo cinema francês que entende que “não existe bom som que não o som verdadeiro da filmagem” (CHION, 2002, p.77). Esse valor de “verdade” orientou as preocupações de Antoine Bonfanti desde Le joli mai, filme de Chris Marker e Pierre Lhomme (1963) que marca sua descoberta do som direto após um período trabalhando dentro de estúdios de som e mixagem como MGM e SIMO. Em depoimento prestado para documentário Antoine Bonfanti, traces sonores d'une écoute engagée, de Suzanne Durand (2002), o cineasta André Delvaux comenta que Bonfanti “foi um fanático do som direto, do som real, seja no documentário ou sobretudo no cinema de ficção.” Muito embora o trabalho de Bonfanti não se limitasse à captação de som direto, mas também avançasse para o trabalho de mixagem em estúdios, ele será creditado como o principal iniciador de toda uma escola de som direto que se consolida na França nos anos 1960/70, formada por nomes como Jean-Claude Laureux, Bernard Aubouy, Pierre Gamet, Jean-Paul Mugel, Jean-Louis Ughetto, entre outros. A opção radical ao som direto terá em Jean-Pierre Ruh seu melhor representante. Para Ruh, o encontro com Eric Rohmer para a realização de Ma nuit chez Maud (1969) será decisivo: “foi em torno desse filme que toda a minha carreira se orientou já que me tornei um incondicional do som direto” (HERPE, 2007). Na sequência, Jean-Pierre Ruh realiza com Rohmer O joelho de Claire (1970), filme que adota um respeito radical ao som direto obtido em situação de filmagem. “Não existe uma só palavra que tenha sido pós-sincronizada”, diz Ruh (HERPE, 2007). Através do tratamento dado ao som, percebemos a abertura de uma janela para o mundo que aproxima o discurso ficcional de uma experiência documental.
Bibliografia

BARNIER, Martin. Les premiers ingénieurs du son français.Paris: 1895, Revue d’histoire du cinéma, no 65, inverno de 2011.

CHION, Michel. Le son au cinema. Paris: Cahiers du Cinema/Editions de l’Etoile, 1985.

_____________. Technique et création au cinéma, le livre des images et des sons. Paris: ESEC Edition, 2002.

HERPE, Noel (dir.). Rohmer et les autres. Renne: PUR, 2007.

MARIE, Michel. Quebec – França, voltas, reviravoltas, vaivéns nas duas direções. São Paulo: Rebeca, revista brasileira de estudos de cinema e audiovisual – ano 2 número 4, Julho-dezembro 2013.

NOUGARET, Claudine; CHIABAUT, Sophie. Le son direct au cinema. Paris: FEMIS, 1997.