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  Título
A barbárie da guerra retratada no documentário Fantasmas de Abu Ghraib
Autor
Altair Reis de Jesus
Resumo Expandido
Ficcional ou documental, a obra cinematográfica em geral, dada o seu crescente avanço tecnológico, artístico, imagético e discursivo, torna-se uma ferramenta indispensável para interpretação dos contextos sociais, políticos, culturais e econômicos representados nas telas conforme os olhares criativos dos cineastas apaixonados pela linguagem cinematográfica. Disto isto, a presente comunicação busca uma reflexão sobre os fatos relatados no documentário Fantasmas de Abu Ghraib (Ghosts o f Abu Ghraib, Rory Kennedy, 2007), tendo como questão central a prática de tortura infringida a presos iraquianos por tropas estadunidenses na prisão de Abu Grhaib. Sendo assim, Fantasmas de Abu Ghraib traz como questão central a barbárie como sintoma da sociedade contemporânea em crise, que tem na política imperialista estadunidense o combate sistemático contra o “terrorismo”. Seja ele praticado por grupos fundamentalistas Islâmicos ou por Estados hostis à política estadunidense, então denominados de “Eixo do mal”. Diante disto, a análise imagética do conteúdo cinematográfico, permite uma série de conjecturas sobre o papel das ideologias que perpassam toda a trama do documentário e remete para questões essenciais que envolvem todo o processo de produção do filme. Principalmente, pela possibilidade que o documentário tem para dizer algo sobre o mundo histórico, torna-o indispensável para refletir sobre variados temas oriundos da sociedade moderna. De maneira especial os documentários reconstroem imageticamente desde os conflitos sociais, que ocorrem tanto no campo quanto na cidade, até atos bárbaros ou totalitários, como os acorridos em momentos singulares da história recente. Todavia é necessário assinalar que apesar das imagens que evidenciam a tortura ou nos relatos dos atores sociais envolvidos no episódio retratado no documentário, cabe aqui a observação que, os fatos ali relatados passaram por um processo de montagem, no intuito de transmitir uma mensagem sobre o que de fato ocorreu naqueles dias conturbados na Prisão de Abu Grhaib. Neste sentido, o documentário, enquanto gênero cinematográfico, ao reproduzir a história em imagens traz contribuições significativas para reflexão sobre o mundo histórico do qual fazemos parte. A reflexão aponta para um aspecto bastante relevante sobre o filme documentário, ou seja, esta fronteira considerada tênue entre realidade e recriação que se dá durante o processo de montagem do filme. Mesmo se tratando de imagens recriadas a partir do processo de montagem, o documentário sobre Abu Grhaib coloca questões fundamentais sobre a capacidade humana para praticar atos cruéis e desumanos. É certo que controvérsias existem sobre o caráter reflexivo das imagens da tortura em Abu Grhaib, porém é necessário se ter em mente que foram eventos ali relatados o que justifica o caráter documental do filme. Considerando as cenas da tortura sofrida pelos iraquianos, que foram retirados da sua vida cotidiana no instante em que os EUA declararam guerra ao seu país, em seguida vistos em situações humilhantes impostas por soldados estadunidenses, é indiscutível a força e a intensidade das imagens que o documentário Fantasma de Abu Grhaib tende a revelar. Ou seja, a barbárie fruto das relações sociais objetivas dos nossos tempos associados com a lógica destrutiva do capital. Para Ramos (2005), o grande mérito dos filmes documentários se situa na sua capacidade em estabelecer enunciados sobre o mundo histórico. No caso do documentário Fantasmas de Abu Grhaib, a julgar pelos vários enunciados ali relatados, destaca-se as cenas intensas da barbárie, onde indivíduos são torturados e maltratados com respaldo de autoridades do governo estadunidense e do seu chefe maior, o então presidente Jorge W. Bush.
Bibliografia

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