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  Título
Introdução à noção de cinema como dança
Autor
Cristian Borges
Resumo Expandido
Sabe-se que o cinema se viu atraído pelo registro da dança logo em seus primeiros anos de vida, pois sobreviveram exemplos tanto do lado de Edison quanto dos irmãos Lumière, além de Porter e Griffith, entre outros. Contudo, foi preciso esperar os anos 1940 para que surgissem exemplos de uma interação mais íntima, em termos de linguagem, entre ambos, algo que ocorreria com maior frequência a partir das obras de Maya Deren e Sara Kathryn Arledge. Na outra face da mesma moeda, porém, encontra-se não mais a dança no cinema – seu registro, sua representação, sua hibridização partindo da arte coreográfica –, mas a dança do cinema, ou seja, aquilo que ocorre cada vez que um filme, por assim dizer, “dança”. Pois o que nos interessa particularmente aqui é inverter a proposição de Amy Greenfield (1969-70), explorando não apenas a “dança como cinema”, mas igualmente o cinema como dança: um tipo de manifestação artística que, partindo do cinema, avance em direção à dança – e que, com distintas denominações, teria servido como objeto de reflexão e exploração estética desde pelo menos os anos 1910, com o cinema burlesco.

A partir das reflexões de artistas tanto do campo da dança (Loie Fuller, Merce Cunningham, Yvonne Rainer) quanto do cinema (Oskar Fischinger, Jean Epstein, Stan Brakhage), veremos exemplos pelos quais diretores, atores, montadores e operadores de câmera fazem um cinema que, antes de qualquer coisa, “dança”. Seja através da movimentação de seres e coisas no mundo pró-fílmico, seja pela movimentação da câmera e da objetiva, seja através dos cortes, raccords e ritmos propostos pela montagem, como em Capitalism: Child Labor (2006) de Ken Jacobs, seja através da própria emulsão dançando na tela em obras como Light is calling (2004), de Bill Morrison.
Bibliografia

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