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  Título
Paraíba, Crítica & Filmes e o realismo "mágico" da criação do cinema.
Autor
José Umbelino de Sousa Pinheiro Brasil
Resumo Expandido
Da realização dos documentários: Aruanda (Linduarte Noronha e Rucker Viera, 1959); Cajueiro Nordestino (Linduarte Noronha, 1962); Romeiros da Guia (Vladimir Carvalho e João Ramiro de Melo, 1962); Homens dos Caranguejos (Ipojuca Pontes e Vladimir Carvalho, 1968); Padre Zé Estende a Mão (Jurandy Moura, 1972) ao primeiro longa-metragem, Salário da Morte (Linduarte Noronha, Jurandy Moura e Antonio Barreto Neto, 1971), até a concretização atemporal do média-metragem O que eu conto do Sertão é isso... (Romero Azevedo, Umbelino Brasil e outros autores, 1978) existiu uma estreita simbiose entre as ações cineclubistas, a crítica cinematográfica e a construção desses e outros filmes que formaram o Ciclo Paraibano de Cinema. Filmes que vistos num conjunto tornaram-se um manifesto utópico que demarcou a árvore genealógica de um cinema novo brasileiro ou moderno, por assim dizer; tornando-se o ciclo, um expressivo movimento que teve dois significativos resultados: a) inserção da cultura paraibana na idade do cinema moderno; b) fez com que o documentário paraibano/brasileiro passasse a existir no sentido estético e social, quebrando o velho ritual que predominava na estrutura narrativa dos filmes documentais. Qualquer retrospectiva dos filmes produzidos nas décadas anteriores, aos anos 1960, teríamos dúzias de filmes impressionistas realizados por amadores, com técnica sofrível e alguns momentos plásticos. Os nossos documentaristas do passado foram apenas bons fotógrafos e quanto à montagem ficávamos no nível primário da coordenação da narrativa. Mesmo assim, ficamos devendo a Humberto Mauro trabalhos que denotam um cineasta atrás da câmara. No contexto politico, estético, social do meado do século vinte, surgiram às novas vanguardas cinematográficas que iria povoar o mundo fílmico com propostas libertárias. A longínqua Paraíba, terra semiárida e de pouco progresso vai se encaixar nessa globalização estética mundial. Era a “derrota da província na própria província” ou “o retrato do colonizado precedendo a imagem do colonizador”, nos dizeres de Glauber Rocha. Ao mapear o Ciclo de Cinema Paraibano, as minhas observações seguem na direção da crítica cinematográfica exercida nos jornais em circulação na capital João Pessoa, e na interiorana Campina Grande. Redimensiono, especificamente, o papel por ela exercido e do seu pensamento. Do final dos anos 1950 até a metade dos 1970 existiu uma farta abundância de críticas nas quais predominava a análise do produto estrangeiro, particularmente do cinema americano e, numa parte menor da crítica, verificava-se que alguns críticos assumiram a significativa função de combater um preconceito comum entre a intelectualidade brasileira, o da oposição ao nosso cinema, considerado até aquela época, um mero divertimento sem maior qualificação artística. Alguns notórios pensadores tiveram um papel importante na ruptura desse conservadorismo, pois lutaram no sentido de desfazer o convencionalismo, assegurando o papel predominante do novo cinema; o que fez despontar uma geração de críticos de cinema, e parte substancial deles se tornaram cineastas. Foram eles os responsáveis pela formação de um conhecimento, de uma difusão do cinema e, em certo sentido, do ensino das técnicas, da história e da estética cinematográfica suprindo, assim, a falta de escolas - estas substituídas pelos Cineclubes e Salas de Arte - para formar mentes afinadas com o mundo endógeno cinematográfico. Foi a partir das críticas produzidas por esses jovens escritores de cinema, nos jornais e periódicos da capital e do interior, que surgiu o reconhecimento de filmes de qualidade, da noção de gêneros, dos diretores, além da apreciação de estilos, movimentos, tendências e escolas. As suas críticas formavam um conjunto de escritos não homogêneos, multiplicados nos diversos jornais, sedimentando e transmitindo pensamentos a uma geração de jovens, estimulando-os e induzindo-os à crítica e à realização de filmes.
Bibliografia

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