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  Título
O exibidor do interior: J. B. Andrade e suas salas de cinema
Autor
Natasha Hernandez Almeida Zapata
Resumo Expandido
José Burlamaqui de Andrade, ou J. B. Andrade, como ficou conhecido, iniciou seu trabalho com exibição cinematográfica em 1918, juntamente com seu pai, Marcolino de Andrade. A primeira sala da empresa seria o Cine Carlos Gomes, localizado na Rua Lucas Fortunato, 89, em Santos. Mesmo tendo nascido na Bahia, Marcolino escolheu, ainda jovem, a cidade portuária como moradia e local para o desenvolvimento de seus negócios. Além do Carlos Gomes, foi adquirido o Cine Seleto, na Rua Amador Bueno, e organizada uma empresa de cinemas em parceria com o Comendador Fins Freixo. José tornou-se, mesmo que muito moço, o gerente-geral da companhia. No ano de 1924, com o falecimento de Marcolino, José tomou a frente dos negócios cinematográficos da família, com planos de expansão de sua rede de salas exibidoras (Cine Repórter, 11 dez. 1948, p.5).

Durante a década de 1920, frequentou a Escola de Comércio José Bonifácio, de Santos, integrando a turma que se formaria em 1929 (Correio Paulistano, 15 mar. 1921, p. 5). Nesse mesmo ano, ficou noivo da senhorita Cecilia Pamplona, filha de David Pamplona e Rita de Cassia Jesus Pamplona, em São Paulo (Diário Nacional, 12 set. 1929, p. 6). A formação no campo do comércio o impulsionaria a continuar com as atividades no setor de exibição cinematográfica.

Já nos anos 1930, após romper a sociedade com Fins Freixo, passou a administrar os cinemas Carlos Gomes, Paramount e Miramar. Em 1932, depois de arrendar a empresa do comendador, deteve a gerência de todas as salas exibidoras de Santos. Até então, a ampliação de seu circuito de cinemas já o havia permitido chegar à capital do estado, onde administrava o Cine Avenida, o Cambuci e o Astúrias. A sede de suas empresas exibidoras também passou a ser na cidade de São Paulo, o que facilitava seu relacionamento com distribuidoras cinematográficas e com a alta sociedade paulista. Na mesma década, deu um passo fundamental à disseminação de sua rede de cinemas, ao adquirir salas nas cidades de Campinas, Piracicaba e Limeira. Em Campinas, era responsável pela administração de todos os cinemas da cidade no período, Rink, Voga, São Carlos e Carlos Gomes, através da empresa Cinemas de Campinas S.A. Em Piracicaba e Limeira, a Empresa Piracicaba-Limeira de Cinemas Ltda. comandava os cines São José, Broadway e Vitória.

No dia 11 de dezembro de 1948, uma edição inteira do semanário cinematográfico Cine Repórter foi dedicada ao trigésimo aniversário de atividade de J. B. Andrade no setor exibidor. A publicação ressalta que, apesar de, nessa época, as dez salas de Burlamaqui na capital paulista já haverem sido arrendadas à Companhia Serrador, o trabalho no interior continuava de vento em popa. Além disso, é salientado o fato de que o exibidor também era um dos maiores acionistas e diretor “da única fábrica de vagões de estradas de ferro existente na América do Sul, sendo também interessado em inúmeras outras organizações comerciais e industriais” (Cine Repórter, 11 dez. 1948, p. 3). A edição se complementa com os habituais anúncios, estreias e frases para o programa, além de uma série de fotos das fachadas das salas de J. B. nas cidades do interior.

Nos anos 1950, J. B. Andrade adicionou inúmeras salas a seu circuito, tanto na capital quanto no interior do estado de São Paulo, chegando a administrar, na metade da década, quase cem cinemas (Cine Repórter, 25 jun. 1955, p.21). O “Circuito Andrade” possuía aproximadamente 80% de suas salas localizadas no interior do estado, tendo, na década de 1960, aberto novos cinemas. Assim, podemos identificar que José Burlamaqui de Andrade e suas empresas foram muito importantes ao desenvolvimento do circuito exibidor cinematográfico de várias cidades do interior do estado de São Paulo, principalmente, no período que vai dos anos 1930 ao final dos anos 1960. Nosso objetivo nesse trabalho, portanto, é o de analisar a trajetória do exibidor e a maneira como ela contribuiu para a expansão do circuito de salas de exibição no interior do estado.
Bibliografia

A Tribuna, Santos, 14 e 15 dez. 1960. Disponível em: http://www.novomilenio. inf.br/santos/h0107w.htm



Cine Repórter, edições de 1946 a 1966. Arquivo da Biblioteca Nacional Digital.



Correio Paulistano, São Paulo, 15 mar. 1921. Arquivo da Biblioteca Nacional Digital.



Diário Nacional, São Paulo, 12 set. 1929. Arquivo da Biblioteca Nacional Digital.



ELIAS NETTO, Cecílio. Pioneirismo de Piracicaba também no cinema. Desde 1896: Um mergulho na história de Piracicaba revela porque esta é uma terra especial. Disponível em: http://www.aprovincia.com.br/memorialpiracicaba/especial/pioneirismo-de-piracicaba-tambem-no-cinema-desde-1896/