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  Título
Aspectos hipertextuais no cinema de Jorge Furtado: Montagem e estilo.
Autor
DANILO LUNA DE ALBUQUERQUE
Resumo Expandido
Buscaremos nessa proposta discutir a utilização de configurações hipertextuais como estratégia de construção narrativa no cinema de Jorge Furtado, observando de que forma fragmentos textuais oriundos de outras linguagens, se posicionam e se adaptam na composição da estética cinematográfica.



O estudo das relações entre os textos – considerando o termo texto como “toda produção cultural fundada na linguagem” (BAKTHIN apud STAM, 1992, p.13; 73), é observado por Gérard Genette (2006) ao tratar da transtextualidade e intertextualidade como “uma relação de co-presença entre dois ou vários textos, isto é essencialmente, e o mais frequentemente, como presença efetiva de um texto em um outro” (2006, p. 8).



A hipertextualidade, portanto, se apresenta como uma faceta da intertextualidade, como uma condição mais complexa do processo de encadeamento entre textos, pois situa o processo dialógico de forma temporal, considerando a continuidade. Ou seja, todo texto veio de um outro e levará a um seguinte; a hipertextualidade propõe um percurso sequencial para a informação discursiva, podendo nesse caminho estabelecer relações infinitas com diferentes linguagens e estéticas.



Conceito importante para a cibercultura, a hipertextualidade é formulada por Pierre Levy como “um conjunto de nós ligados por conexões(...)”, no qual os “(...)nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou partes de gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertextos” (LÉVY, 1993, p.33).



Nesse sentido, procuraremos analisar como a utilização de hipertextos incide sobre o processo de construção narrativa do curta metragem Ilha das Flores (1989) e do longa O homem que copiava (2003), na medida em que as duas obras são alicerçadas a partir do uso de recortes e fragmentos textuais diversos para compor suas respectivas tessituras fílmicas.



Nos interessa perceber como as colagens em formato de hipertexto se manifestam na forma cinematográfica, possibilitando na troca dos planos do filme a incorporação de outras linguagens. Nesse sentido observaremos a relação de influência dos fragmentos hipertextuais na composição e dinâmica da montagem fílmica, considerando esta como responsável pela “organização das significações, para garantir ‘um discurso global compreensível por um espectador, cuja atenção está inteiramente nas mãos do cineasta’” (AUMONT, 2012, p.158).



Utilizando as duas obras como referência para tratar da materialidade fílmica, é possível discutir questões atreladas a estilística do cinema de Jorge Furtado, na medida em que o estilo se constitui como a “textura das imagens e dos sons do filme, o resultado de escolhas feitas pelos cineastas em circunstancias históricas específicas (BORDWELL, 2013, p. 17).



Em suma, pretendemos analisar como se configura a linguagem cinematográfica nas obras de Jorge Furtado, a partir da inserção e combinação de outras elementos estéticos no tecido fílmico, através do uso do hipertexto, sobretudo no âmbito da montagem; observando os desdobramentos estilísticos (BORDWELL, CARREIRO) dessa estruturação na produção de sentido e na elaboração narrativa dos dois filmes.
Bibliografia

AUMONT, Jacques. Teorias Dos Cineastas (as). Tradução Marina Appenzeller. Campinas, SP: Papirus Editora, 2012.



BORDWELL, David. Figuras traçadas na luz. Campinas: Papirus Editora, 2009.



BORDWELL, David. Sobre a História do Estilo Cinematográfico. Campinas (SP): Editora da Unicamp, 2013.



CARREIRO, Rodrigo. Era uma vez no spaghetti western: o estilo de Sergio Leone. 1. ed. São José dos Pinhais (PR): Editora Estronho, 2014.



GENETTE, Gérard. Palimpsestos: a literatura de segunda mão. Tradução Luciene Guimarães e Maria Antônia Ramos Coutinho. 2ª Ed. Belo Horizonte: Faculdade de Letras, 2006. Disponível em: .



LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência. São Paulo: Editora 34, 1993.



STAM, Robert. Bakhtin – da teoria literária à cultura de massa. Tradução Heloísa Jahn. São Paulo: Ática, 1992.