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  Título
A criação de arte na obra de João Botelho: Os Maias.
Autor
Nívea Faria de Souza
Resumo Expandido
Nesse trabalho pretendo apresentar a direção de arte como uma construção importante para a criação artística audiovisual. Sua “origem criativa” é essencial para os caminhos da construção da imagem da obra cinematográfica. Pretendo compreender a problemática da direção de arte como uma questão a ser resolvida e desenvolvida a partir de conceitos e métodos criativos diversificados que podem surgir a partir de uma inspiração, uma memória, uma livre criação. O criador cênico, que desenvolve e executa um projeto especificamente para uma produção, desenvolve um trabalho com destino e origem específicos e predeterminados: O filme.

A tarefa dos profissionais de cinema, grosso modo, pode ser revista como a maneira traduzir visualmente os subsídios indicativos que o roteiro fornece. Uma obra cinematográfica, não devemos esquecer, é resultado de um trabalho artístico e criativo coletivo, são inúmeros profissionais trabalhando em prol da realização de uma mesma obra. A natureza do trabalho do diretor de arte é dar forma, cor, peso, equilíbrio e movimento à cena, materializando a visão do diretor, que dita o ritmo, a ideia e o conceito, e na articulação destes trabalhos, a partir da ótica da direção.

Dessa forma como se dá esse processo criativo de construção da imagem pela vertente da direção de arte? A criação possui seu berço a partir de um texto, que serve como guia, como fio condutor para toda a criação, o roteiro, mas não necessariamente se trata de uma representação ipsis litteris da narrativa, existe um trabalho conjugado entre roteiro e criação, uma reflexão sobre como cada elemento chegará ao espectador e comunicará a mensagem necessária para contar a estória. Qual a relação diretor x diretor de arte na construção visual da obra?

A cada roteiro ocorre esse sistema que, grosso modo, parece mecanizado, contudo, nesse trabalho pretendo apresentar a relação criativa da direção de arte e da direção na concretização da obra cinematográfica através do estudo do filme Os Maias, de João Botelho. Aqui pretendo exibir a poesia possível em um romance amplamente conhecido na obra literária de Eça de Queiroz. Para além da representação realista, o filme apresenta a crônica poetizada de uma Lisboa do século XIX, e resulta numa obra entremeada de efeitos audiovisuais e uma direção de arte teatralizada, optando por uma estética onde tudo é exposto, os cenários, os desenhos, as maquetes, a roupa, a música, e a poesia se encontram nessa possibilidade de criação cinematográfica. E foi exatamente o que o próprio diretor considerou, poeticamente, na entrevista de estreia da obra em 2014: “O que falta ao cinema é saber filmar o vento das árvores!” (João Botelho).
Bibliografia

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