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  Título
Como lembrar os vencidos da historia? Uma leitura benjaminiana do "gótico tropical"
Autor
Marc Berdet
Resumo Expandido
Histórias de vampiros, de zumbis, de incesto, de canibalismo social e de antropofagia entre as classes sociais na paisagem do escravagismo antigo e do colonialismo moderno próprio da América latina: assim poderíamos definir o “gótico tropical”. Esta estética fílmica e literária colombiana importa, no clima tropical, o gótico nascido na Roménia e Inglaterra, nos castelos de Transilvânia e nas mansões vitorianas.



Se aclimatou a transplantação monstruosa? Essa estética de terror, exemplar do potencial subversivo – conforme a técnica de crítica de Walter Benjamin afrontando o barroco alemão – dos géneros menores, conseguiria retomar a força originária, surrealista, da crítica política do gênero negro inglês, fazendo dele um elemento explosivo da ordem política e social na América latina? Como interpretar a trilogia negra do Hollywood de Cali – ou “Caliwood” – formada pelos filmes Pura Sangre (1982), Carne de tu carne (1983) e La Mansión de Araucaíma (1986), dos cineastas Luís Ospina (1949-) e Carlos Mayolo (1945-2007)? Será o escritor Álvaro Mutis (1923-2013), autor do primeiro “relato gótico em terra quente” (1971), na origem do gênero? Ou o meteoro Andrés Caicedo (1951-1977), avido de fantástico na sua cinefilia como na sua poesia? Qual foi o papel do seu cineclube, da sua revista de cinema – e da comunidade hippie Ciudad Solar, onde todos viviam e criavam na Cali dos anos 1970?



Esta comunicação se inspira do método de crítica literária praticada pelo filosofo alemão Walter Benjamin para desvelar a origem do gótico tropical colombiano, seja do ponto de vista de crítica social, a energia criativa de um coletivo efêmero de jovens utopistas frente a um mundo abalado por grandes mudanças políticas, seja do ponto de vista de crítica estética, o encontro sulfuroso entre uma crítica social e uma antropologia do mal.
Bibliografia

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