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  Título
Do homem-máquina: jogos de máscaras na ficção científica
Autor
João Vitor Resende Leal
Resumo Expandido
A partir de filmes de ficção científica como Metrópolis (Fritz Lang, 1927), Blade Runner (Ridley Scott, 1982), Inteligência artificial (Steven Spielberg, 2001) e Ex-Machina (Alex Garland, 2015), pretendemos analisar a tradição do personagem androide, levando em consideração as estratégias narrativas e figurativas e as nuances do trabalho atoral e que habitualmente o constituem. Entendendo por “androides” personagens-máquina que, performados/interpretados por atores humanos, não raro dissimulam sua natureza mecânica sob a máscara mais ou menos verossímil de um ser humano, examinaremos os modos pelos quais sua expressividade – fisicalidade, gestualidade, rosto, voz – tensionam dualismos correntemente estabelecidos entre o orgânico e o artificial, o espontâneo e o programado, o performático e o teatral, a presença e a representação, o ser humano e a máquina. Através desse meta-cinematográfico espelhamento de máscaras, no qual um humano interpreta uma máquina que, por sua vez, reinterpreta um humano, buscaremos discutir como o corpo filmado do ator (sua presença física, material, na imagem) é simultaneamente endereçado ao espectador como uma pessoa representada (um personagem antropomórfico) e como uma desfiguração do humano (uma figura não-humana, talvez monstruosa, cuja eficácia narrativa e figurativa vem justamente romper as fronteiras do antropomorfismo). Noutras palavras, pela investigação da expressividade de personagens androides, esperamos realizar não apenas um estudo de caso no âmbito do cinema de ficção científica, mas sobretudo delinear e analisar as fricções que o cinema potencialmente engendra entre as noções de ator, corpo, personagem, pessoa humana e figura. Num segundo momento, com o intuito de ampliar tal horizonte de investigação, confrontaremos a tradição do personagem androide no cinema a outras formas artísticas de construção híbrida do homem-máquina, tomando como exemplo as vídeo-criaturas/esculturas de Otávio Donasci e Tony Oursler e os “corpos ausentes” no teatro multimídia de Denis Marleau.
Bibliografia

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