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  Título
O projeto de cinema popular no primeiro Leon Hirszman
Autor
Eduardo Tulio Baggio
Resumo Expandido
Dos 19 filmes do cineasta Leon Hirszman, seis estão situados na fase inicial de sua carreira, que é o foco desta proposta de comunicação: “A Mais-Valia Vai Acabar, Seu Edgar” (1960), “Pedreira de São Diogo” (1962), “Maioria Absoluta” (1964), “Nelson Cavaquinho” (1964), “Sexta-feira da Paixão, Sábado de Aleluia” (1964) e “A Falecida” (1965). O primeiro é um filme de montagem – em que Hirszman foi o montador –, a partir de vários outros filmes, feito para a peça de mesmo nome, de Oduvaldo Vianna Filho, dirigida por Chivo de Assis, e que esteve em cartaz no Teatro de Arena da Faculdade de Arquitetura da UFRJ em 1960. Os outros são filmes dirigidos por Hirszman, sendo que "Pedreira de São Diogo" foi feito como um episódio integrante do longa-metragem "Cinco vezes favela", de 1962. Já “Sexta-feira da Paixão, Sábado de Aleluia” foi lançado como episódio do longa-metragem “América do Sexo”, apenas em 1969.

Nestes filmes há a delineação de um projeto de cinema popular, que posteriormente seria ainda continuado e até enfatizado em parte da obra do cineasta. Hirszman grifou tal interesse pelo popular também em suas manifestações verbais – em textos, entrevistas e depoimentos filmográficos – que apontam para um projeto conceitual cinematográfico em que o povo é elemento central, em especial o trabalhador.

Hirszman foi um dos fundadores do CPC (Centro Popular de Cultura, da União Nacional dos Estudantes - UNE) e realizou seu primeiro filme como diretor através deste centro. Trata-se do curta "Pedreira de São Diogo", que já apontava para a preocupação em constituir um cinema que fosse do povo para o povo. Esta era, inclusive, a maior motivação do CPC, produzir cultura popular para o povo.

Durante a primeira metade dos anos 1960, Hirszman, juntamente com alguns colegas, adotou a postura de filmar o que estava acontecendo no tempo presente – época de profundas movimentações políticas e sociais no Brasil –, mesmo que muitas vezes nem sequer tivesse a previsão de como tais filmagens seriam utilizadas ou se seriam autorizadas as exibições: “A gente documentava muita coisa, como o movimento dos retirantes, o comício de Jango na Central do Brasil, em 13 de março, as atividades do próprio CPC. Só que nem sempre se pode mostrar, por questões de segurança.” (HIRSZMAN, 1979: 2)

Esse impulso fundador na obra do cineasta, oriundo da experiência com CPC e com outros movimentos de cunho popular, será abordado na comunicação a partir dos conteúdos e das opções estilísticas presentes nos seis filmes iniciais de Hirszman, além de suas constantes e veementes afirmações verbais. A intenção é discutir como o cineasta concebeu esse conceito popular para o seu projeto cinematográfico, que era também parte da fecunda troca de ideias com outros cineastas do Cinema Novo e com dramaturgos e diretores de teatro da época.
Bibliografia

AVELLAR, José Carlos; GUIMARÃES, César; MELO, Walter; et al. Memória, História, Identidade. Cinemais 37 – Revista de Cinema e outras questões audiovisuais, Rio de janeiro: Aeroplano Editora, outubro/ dezembro 2004.

CINEMATECA Brasileira. Leon Hirszman: ABC da greve, documentário inédito. Catálogo. Cinemateca Brasileira: São Paulo, 1991.

DEIXA QUE EU FALO. Direção: Eduardo Escorel. Rio de Janeiro: VideoFilmes, 2007.

HIRSZMAN, Leon. O Espião de Deus: entrevista a Fernando Morais, Cláudio Kahns, Sérgio Gomes, Adrian Cooper e Uli Bruhn. 1979.

______ Entrevista à Revista Filme Cultura, nº 44, Abril-Agosto, 1984.

______ É Bom Falar. Organizado por Arnaldo Lorençato e Carlos Augusto Calil. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995.

HIRSZMAN, Leon; et al. Deus e o Diabo na Terra do Sol. In: VIANY, Alex. O Processo do Cinema Novo. Rio de Janeiro, Aeroplano, 1999.

VASCONCELOS, Ana Lúcia. Leon Hirszman de volta às origens. Agulha Revista de Cultura, nº44, 2006.