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  Título
O cinema digital e a subjetividade no documentário brasileiro contempo
Autor
César Ramos Macedo
Resumo Expandido
Como arte industrial, o cinema é uma atividade que durante toda sua história foi influenciada pelo desenvolvimento das tecnologias de produção. É notável que o elemento tecnológico é apenas mais um, dentre tantos aspectos, que se relacionam com as mudanças incorporadas ao longo do tempo pela linguagem audiovisual e toma-lo como único seria incorrer em um determinismo tecnológico sobre o próprio fazer cinematográfico. Este trabalho, portanto, propõe enquanto recorte, uma análise das mudanças estilísticas observadas no documentário brasileiro contemporâneo, sobretudo a mudança na abordagem do objeto documental para uma perspectiva subjetiva, conforme defendido por Carlos Alberto Mattos (2012), sob a ótica do desenvolvimento das novas tecnologias, especialmente após a década de 1990 com a implementação da tecnologia digital, sem deixar de lado a análise dos fatores históricos, políticos e ideológicos.

Para isso realizaremos um retrospecto histórico do desenvolvimento das tecnologias de produção, desde a introdução da captação magnética de som no Brasil estabelecendo a sua relação com a estilística do cinema direto brasileiro e o deslumbre dos realizadores deste período com a voz do outro, conforme proposto por Jean Claude Bernardet (2003) em seu livro Cineastas e a Imagem do Povo.

Abordaremos a difusão social das câmeras e a popularização dos aparelhos de vídeo ocorrida na década de 80 que se colocam enquanto uma alternativa ao alto custo da captação em película e facilitam as produções audiovisuais até então carentes no que se refere a políticas de incentivo, proporcionam maior movimentação e agilidade às equipes, sendo utilizados no projeto do já citado Coutinho Santa Marta, duas semanas no Morro (1987).

Por fim, em nossa análise, verificaremos de que forma a utilização do suporte digital na produção do documentário Os Dias com ele (2013) influenciou na abordagem subjetiva da diretora ao retratar o momento histórico da ditadura militar no Brasil. Estabelecendo um contraste do filme de Maria Clara em relação a documentários produzidos recentemente no Brasil em 16 e 35 mm, como no caso de Santiago (2007) de João Moreira Salles, que por se valerem de um formato extremamente caro, muitas vezes acabam por imprimir um ritmo frenético ao filme com o objetivo de economizar no custo final da obra conforme abordado por Ilana Feldman (2012) em seu artigo Jogos de Cena – Ensaios sobre o Documentário Brasileiro Contemporâneo.

Palavras-chave: Documentário brasileiro contemporâneo, cinema digital, subjetividade.
Bibliografia

BERNARDET, Jean Claude. Cineastas e Imagens do Povo. DA-RIN, Silvio. O espelho partido: tradição e transformação do documentário. FELDMAN, Ilana. Jogos de Cena – Ensaios sobre o Documentário Brasileiro Contemporâneo. GUTFREIND, Cristiane F. O realismo e a catástrofe histórica nos filmes-testemunho. HOLANDA, Karla. Documentário Brasileiro contemporâneo e a micro-história. LINS, Consuelo; MESQUITA, Claudia. Filmar o real: sobre o documentário brasileiro contemporâneo. MATTOS, A. C. Gomes de. Do cinetosópio ao cinema digital: breve história do cinema Americano. MATTOS, Carlos Alberto. Documentário brasileiro: a subjetividade liberada e a vida como performance. PARANAGUÁ, Paulo Antônio. A invenção do cinema brasileiro: modernismo em três tempos. FRAMIL, Bárbara. A história e a memória individual no documentário brasileiro. Um estudo de Que bom te ver viva, Diário de uma busca e Os dias com ele. RAMOS, Fernão Pessoa. Mas afinal... O que é mesmo o documentário?.