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  Título
Curadoria da perspectiva das mulheres
Autor
Amaranta Cesar
Resumo Expandido
Curadoria da perspectiva das mulheres: posicionamento de gênero como práxis crítica



Minha intenção é apresentar um testemunho sobre uma experiência de curadoria e programação em cinema, em um festival de documentários, o CachoeiraDoc, que acontece há 7 anos, em Cachoeira, no interior da Bahia, longe, portanto, dos circuitos hegemônicos do cinema brasileiro. É exatamente em razão dessa sua condição periférica que se abre ali um campo de experimentação em que se pode inventar um festival de cinema como lugar de imaginação política e exercitar a curadoria e programação como uma práxis crítica. Neste contexto, temos tentado responder à interpelação dos diversos sujeitos históricos que se põem hoje a filmar, experimentando um modo de curar e programar filmes por radiestesia, ou seja, tentando desenvolver uma sensibilidade para reconhecer as vibrações e sinais de vida seja na superfície ou no fundo das imagens, oferecendo para elas um lugar de existência e amplificação.



A experiência que pretendo apresentar diz respeito à decisão de lidar frontalmente com “a negligência crítica” em relação aos filmes realizados por mulheres no Brasil (MAIA, 2015) e a sua frágil presença nos circuitos de difusão, especialmente nos festivais de cinema. Ao constatar a atuação majoritária dos homens nas instâncias de curadoria e programação dos principais eventos brasileiros, consideramos assumir uma tarefa crítica perspectivada, no intento de testar em que medida tal procedimento pode ser tomado como um meio de fazer face ao lugar minoritário das realizadoras mulheres nesses espaços e, especialmente, à invisibilidade das realizadoras negras e indígenas. Propusemos, então, realizar uma curadoria da perspectiva das mulheres que implicou em apostar em um exercício curatorial para o qual o juízo estético esteve associado, e em alguns momentos mesmo submetido, ao princípio do reconhecimento (BUTLER, 2015). Presumo que este percurso, orientado pela franca adoção de um posicionamento de gênero como postura crítica, pode nos conduzir a uma revigorada articulação entre as questões e noções de gênero e o cinema em seus modos de agenciamento de visibilidades e apagamentos.
Bibliografia

BUTLER, Judith. Relatar a si mesmo. Crítica da violência ética. Belo Horizonte: Autêntica, 2015. Tradução: Rogério Bettoni.

BUTLER, Judith. Bodies that matter. New York, London: Routledge, 1993.

hooks, bel. Yearning: Race, Gender, and Cultural Politics. Boston, South End Press, 1990.

LIMA, Diane. “Diálogos Ausentes e a Curadoria como Ferramenta de Invisibilização das Práticas Artísticas Contemporâneas Afro-Brasileiras”. In: http://d3nv1jy4u7zmsc.cloudfront.net/wp-content/uploads/2017/01/diálogosausentes_dianelima-rev_02.pdf, acessado em 31/03/2017.

MAIA, Carla. SOB O RISCO DO GÊNERO: clausuras, rasuras e afetos de um cinema com mulheres. Tese (Doutorado). Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2015.

PAULINO, Rosana. “Diálogos Ausentes, Vozes Presentes”. In: http://d3nv1jy4u7zmsc.cloudfront.net/wp-content/uploads/2016/12/diálogosausentes_rosanapaulino-rev.pdf, acessado em 31/03