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  Título
Stranger Things: memória e nostalgia no audiovisual contemporâneo
Autor
Eutália Silva Ramos
Resumo Expandido
No ambiente contemporâneo, há uma crescente produção audiovisual que nos remete a nostalgias. Podemos passar horas desenvolvendo listas ou listar rapidamente produções que se encaixam nesse quesito, verificando cada produção com sua característica individual capaz de proporcionar experiências que envolvam história, memória e nostalgia. Não é novidade um canal de TV reprisar ou realizar remake das novelas de sucesso dos anos 80/90. Sabemos que no cinema acontece o mesmo, e bem antes da TV, com as franquias cinematográficas que continuam desempenhando igualmente esse processo. Mas nunca se pensou no futuro tecnológico marcado por objetos nostálgicos e na internet como um local onde estariam nostalgias individuais e coletivas (NIEMEYER, 2014) - da imagem de uma fita cassete ao aplicativo que imita a fotografia Polaroid.



Ao pensar sobre, buscamos investigar esse lado sensível que circunda o audiovisual contemporâneo que vai ao passado e traz para o presente um filme, novela ou uma série televisiva para uma quantidade x de pessoas reviverem memórias. Porém, reconhecemos a vertente mercadológica que envolve todo esse processo, resgatar produções que deram certo para garantir, de certa forma, o sucesso no presente – remake, reprises e/ou adaptações. Com os dois lados da moeda, consideramos a série Stranger Things (2016), produção original Netflix, um interessante exemplo de produção que nos oferece uma análise da atualidade do uso da memória e nostalgia no audiovisual. A série resgata distintos momentos marcados nos anos 80, com objetos nostálgicos como fita cassete, referência a filmes como E.T – O Extraterrestre e história científica. Para compreender a questão, recorremos a conceitos que trabalham com a memória, história, valor residual e nostálgico, especificamente a relação entre o cinema e nostalgia (COOK, 2005); televisão e nostalgia (HOLDSWORTH, 2011); mídia e nostalgia (NIEMEYER, 2014) e desejo nostálgico (JENKINS; FORD; GREEN, 2014), para alcançar o encontro da memória e nostalgia e como se dá a experiência nostálgica que vem sendo disseminada no audiovisual contemporâneo.



Dessa maneira, o estudo busca compreender a possibilidade de haver uma experiência nostálgica que se constrói nas produções através dos formatos, narrativas e estéticas reproduzidas e/ou recriadas a partir de uma referência. Ainda que possua uma visão mercadológica, com esta análise podemos retirar a “visão pessimista” e identificar aspectos que apontem uma linha tênue entre a experiência nostálgica da audiência e a satisfação mercadológica com a audiência.
Bibliografia

COOK, Pam. Screening the past: memory and nostalgia in cinema. London e Nova York: Routledge, 2005.



HOLDSWORTH, Amy. Television, memory and nostalgia. London: Palgrave Macmillan, 2011.



JENKINS, Henry; GREEN, Joshua; FORD, Sam. Cultura da conexão: criando valor e significado por meio da mídia propagável. São Paulo: Aleph, 2014.



NIEMEYER, Katharina. Media and nostalgia: yearning for the past, present and future. London: Palgrave Macmillan, 2014.