Voltar para a lista
 
  Título
Circulação do cinema universitário português e brasileiro na internet
Autor
Maria Cristina Tonetto
Resumo Expandido
O cinema e as redes sociais digitais (RSD) têm se aproximado ao longo dos últimos tempos, seja no contexto da investigação académica, seja dos compartilhamentos de vídeos pelos internautas ou dos novos formatos de produção. Neste estudo falaremos das RSD e do modo como se estabelece essa comunicação desterritorializada e que tipo de conexão se constitui entre os seus utilizadores. A eliminação das fronteiras de circulação de conteúdo com a chegada da web foi um facilitador para o espalhamento das produções independentes, que hoje podem partilhar o material dos filmes desde a pré-produção.

Dada a sua utilização para a divulgação das produções cinematográficas dos estudantes, trataremos neste texto os resultados obtidos nas universidades da investigação: como os alunos percebem a visibilidade na web e o compartilhamento na pré-produção dos curtas-metragens universitários. A escolha das plataformas de divulgação e quais os critérios que os egressos levaram em consideração para escolher a rede social em que compartilham as peças de divulgação dos filmes é outro ponto que será abordado. As redes sociais digitais escolhidas para esta pesquisa - Facebook e Youtube - foram eleitas em função do acesso dos jovens estudantes e da facilidade de compartilhamento da produção audiovisual através das mesmas, nos últimos cinco anos.

A interação já está no cotidiano do cidadão comum, que realiza estas trocas através das RSD, quando comenta um filme ou um episódio de televisão e dos compartilhamentos que realiza diariamente. As RSD ainda contribuem de forma significativa para as mudanças das novas mídias, que hoje têm um outro tipo de interação com seu público, procura estar na internet, estabelecer uma comunicação mais próxima, com a criação de páginas dos filmes e programas, modificações que podem ser percebidas no comportamento do público. O debate e as conversas muitas vezes realizados nos cafés e reuniões familiares são hoje realizados nas RSD, que colocam opiniões e embates entre seus utilizadores. A web ampliou as relações sociais, a circulação de diversos materiais, os meios de comunicação e a todo momento exibe comentários, informações que revelam e marcam aquilo que nos é diferente.

Na sociedade em rede, como descreveu Castells (2003), a maioria dos debates passa pela internet, para discutir a informação, os modelos de negócio e a construção da cultura. Jenkins, lembra “eles estão fazendo isso não como indivíduos isolados, mas dentro de comunidades maiores e redes, que lhe permitem espalhar conteúdo bem além de sua proximidade geográfica imediata” (2013, p.2). Grupos criados a partir de identificações e interesses, que se unem para partilhar seus valores, procurar novas descobertas e agregar conhecimento. Os atores não participam simplesmente do novo sistema de comunicação, eles constroem as ferramentas, se apropriam e modificam suas finalidades, criando assim, novas aplicações. Como já defendia Mcluhan e Powers “Los usuários se convertirán en productores y consumidores en forma simultânea” (2011, p.91), definidos como os novos produtores de conteúdo, os prosumers (produtores+consumidores).

Partindo deste panorama de novas tecnologias e das modificações verificadas no processo consumidor–produtor e nas relações sociais, que são determinados digitalmente, entendemos como oportuno pesquisar e refletir sobre as condições da produção audiovisual acadêmica e a sua circulação na web. Essas ligações estão na pauta das novas pesquisas, pois como lembra Primo (2013, p.8) “quer-se, isso sim, estudar as relações em redes na internet como elas se apresentam, evitando-se que o deslumbre pelo novo ofusque a reflexão”. A divulgação das pesquisas realizadas com os novos dados que são apresentados nas RSD é uma forma de desvendar o que acontece entre os usuários destes sistemas e uma análise mais criteriosa do entrecruzamento e da divulgação do material pelos egressos aponta o envolvimento dos acadêmicos com suas produções nas RSD.
Bibliografia

Burgess, J., & Green, J. (2009). Youtube e a revolução digital: Como o maior fenômeno da cultura participativa está transformando a mídia e a sociedade. São Paulo: Aleph.

Castells, M. (2003). A Galáxia da Internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade (tradução Maria Luiza X. de A. Borges e revisão Paulo Vaz). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Felice Di, M. & Lemos, R. (2014). A vida em rede. Campinas: Papirus.

Jenkins, H., Ford, S., & Green, J. (2013). Spreadable media: Creating value and meaning in a networked culture. New York: New York University Press.

Mcluhan, M., & Powers, R. B. (2011). La Aldea Global (6a ed.). Barcelona: Gedisa.

Primo, A. (2013). Interações em Rede. Porto Alegre: Sullina.

Recuero, R. (2009). Redes Sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina

Santaella, L. (2013). In Primo, A. (Org.). Interações em Rede. Porto Alegre: Sullina.

Surowiecki, J. (2007). A sabedoria das multidões – como a inteligência colectiva transforma a economia e a sociedade. Lisboa