Voltar para a lista
 
  Título
Tornar-se cineasta no Brasil nos anos 1960: o caso de Gilda Bojunga
Autor
Sheila Schvarzman
Resumo Expandido
A trajetória cinematográfica de Gilda Bojunga é elucidativa sobre os impedimentos de gênero que comprometem a afirmação de uma carreira feminina na direção cinematográfica no início dos anos 1960. Contemporânea e próxima de muitos dos cinemanovistas como Mário Carneiro, com quem partilha amizades e a mesma extração social, Gilda convive com esses rapazes no Rio de Janeiro, segue o curso de Arno Sucksdorf (1963) que acontece no Instituto Nacional de Cinema Educativo onde trabalhava e embora tenha feito um “filmete” com Humberto Mauro durante as filmagens de Engenhos e Usinas, em 1955 do qual participou, e apesar da proximidade com o cineasta e a nova geração que se afirmava, só vai realizar seu primeiro filme em 1967 no curso de Cinema Etnográfico de Jean Rouch em Paris. Certamente Humberto Mauro não incentivaria a jovem a mais do que um pequeno exercício e significativamente, sua carreira começa com as mudanças no INCE e a saída do cineasta veterano. Filmando em produções independentes com subsídios da Embrafilme, vai produzir alguns dos muitos documentários de caráter cultural comuns no período como Mestre Valentim (1971) produzido por David Neves, ou Academia Brasileira de Letras (1977), documentando a entrada de Raquel de Queiroz, a primeira mulher na instituição. Nesse filme, recupera cenas filmadas por Mauro em 1937 sobre quem realiza, em 1976 cinco episódios de 15 minutos para o programa Cinemateca, na TV Educativa. É novamente em torno de Mauro que realiza o documentário Paulo Emílio Salles Gomes – Ganga Bruta, onde o crítico e historiador relembra a redescoberta de Ganga Bruta em 1952 a partir do encontro de Caio Scheiby com Adhemar Gonzaga. E por fim, realiza um filme sobre a Confeitaria Colombo em 1979.

Uma carreira, ligada, portanto, às suas raízes, às vivências no INCE onde, no entanto, pouco se desenvolveu praticamente como cineasta, embora acompanhasse a realização das produções da instituição e do cineasta mineiro. Breve carreira ligada ao Cinema Brasileiro e sua história que vai observar e documentar. Apesar do meio e da extração social comum e das amizades com cinemanovistas, encontra dificuldades em ter uma produção contínua e sem entraves.
Bibliografia

HOLANDA, Karla - Da história das mulheres ao cinema brasileiro de autoria feminina IN Revista Famecos. Porto Alegre, v. 24, n. 1, 2017 http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/view/24361 Acesso em 20/3/2017

HOLLANDA, Heloísa Buarque de (org). realizadoras de cinema no Brasil: 1930-1988. Rio de Janeiro: Centro Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos, 1989 (Quase Catálogo, 1).

LUSTOSA, Isabel – A mulher entre o século XIX e XX IN Diário do Nordeste, Caderno 3, 8/3/2014 http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/coluna/isabel-lustosa-1.134/materia-1.840772 Acesso em 20/2/2017

PRIORE, Mary – História das Mulheres no Brasil. São Paulo: Ed. Contexto, 1997

PERROT, Michelle – Minha História das Mulheres. São Paulo: Ed. Contexto, 2007

VEIGA, Ana Maria. Cineastas brasileiras em tempos de ditadura: cruzamentos, fugas, especificidades. 2013. 397 f. Tese (Doutorado em História Cultural) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2