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  Título
Etnografias fílmicas da cidade em filmes de ficção brasileiros
Autor
Wendell Marcel Alves da Costa
Resumo Expandido
Na Antropologia o uso de imagens fílmicas na pesquisa etnográfica tem se valido de forma significativa para enfatizar narrativas visuais dos lugares da cidade. As imagens fílmicas apropriam um discurso estético e, ao mesmo tempo, social e simbólico do objeto/fenômeno representado. De uma forma geral, o uso de imagens fílmicas na pesquisa etnográfica do espaço urbano constitui-se num processo de ressignificação do próprio método antropológico, quando oportuniza a observação das mudanças espaciais, sonoras, estéticas, culturais e simbólicas da cidade através do dispositivo da visualidade. Diante deste painel, este trabalho tem por objetivo discutir o elemento da imagem fílmica no contexto da produção do conhecimento etnográfico a partir de filmes de ficção brasileiros que realizam etnografias da cidade do Recife-PE.



Os filmes de ficção brasileiros contemporâneos que tratam das questões das espacialidades da cidade, em especial da cidade do Recife, representam questões sobre os aspectos do lugar sobre memória, identidade, narrativa e afetividade. Esses elementos que estão contidos na construção da representação da cidade fílmica, contem sentidos do imaginário urbano na perspectiva da criação de uma cidade imaginária com os seus trajetos sociais, mapas emocionais, lugares-afetivos e deslocamentos orientados pelas sociabilidades no âmbito urbano. Por exemplo, as obras de ficção que abordam estas questões num cinema pernambucano contemporâneo são Aquarius (Kleber Mendonça Filho, 2015), Febre do Rato (Cláudio Assis, 2012) e Era Uma Vez Eu, Verônica (Marcelo Gomes, 2012). Esses filmes se preocupam com a problemática da reestruturação do espaço urbano da cidade do Recife e das relações sociais que emergem na estrutura de relações de poder entre classes sociais.



Diante desse contexto, problematiza-se uma antropologia audiovisual prática que se preocupa com o urbano (VAILATI, GODIO, RIAL, 2016) e de uma prática pedagógica antropológica visual (FERRAZ, MENDONÇA, 2014) que tem se aproximado de uma etnografia fílmica politizada. Na esteira dos estudos de cultura urbana (MOMCHEDJIKOVA, 2015), compreende-se aqui a cidade como um mundo de relações (LIMA, FAZZI, 2016) que pode ser representada pelo cinema como reconhecimento das diferenças, narrativas, sentidos e perspectivas (BARBOSA, 2000). Logo, este trabalho está situado numa análise teórico-metodológica que converge olhares sobre a cidade a partir da interpenetração de campos como a Antropologia, os Estudos Culturais, a Filosofia do Imaginário e a Teoria do Cinema.
Bibliografia

BARBOSA, Jorge Luiz. A arte de representar como reconhecimento do mundo: o espaço geográfico, o cinema e o imaginário social. GEOgraphia – ano. II – n. 3 – 2000.



FERRAZ, Ana Lúcia Camargo. MENDONÇA, João Martinho de. Antropologia visual: perspectivas de ensino e pesquisa. Brasília: ABA, 2014.



LIMA, Jair Araújo. FAZZI, Rita de Cássia. A socio-antropologia urbana: da sociologia urbana ao estudo da cidade definida como um mundo de relações. Vivência – Revista de Antropologia, n. 47, pp. 163-182, 2016;



MOMCHEDJIKOVA, Blagovesta M. Capturados pela cidade: perspectivas em Estudos de Cultura Urbana. Revista Antropolítica, n. 38, Niterói, pp. 17-25, 2015.



VAILATI, Alex. GODIO, Matias. RIAL, Carmem. (Orgs.). Antropologia audiovisual na prática. Florianópolis: Cultura e Barbárie, 2016.