ISBN: 978-85-63552-24-2
| Título | Adaptações e transcriações nas indústrias cinematográfica e editorial |
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| Autor | Dostoiewski Mariatt de Oliveira Champangnatte |
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| Coautor | Anna Paula Soares Lemos |
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| Resumo Expandido | Escrever um roteiro de cinema adaptado de uma obra literária não significa, simplesmente, transformar em ações as descrições apresentadas no texto ou mesmo manter determinadas situações e personagens para que a fidelidade à obra seja a maior possível. Há a possibilidade de se criar novas ações, suprimir outras e até mesmo juntar várias em uma só, assim como se pode fazer tudo isso com os personagens. O roteirista de um filme adaptado é um tradutor da obra original e, nesse sentido, tal como abordou Haroldo de Campos, em Da transcriação – poética e semiótica da operação tradutora (2011), o tradutor pode ser hiperfiel à obra ou recriá-la, sendo, portanto, um transcriador. Este trabalho pretende discutir o trabalho do roteirista a partir dessa perspectiva, do roteirista como tradutor, e pretende investigar e criticar a ação do mesmo poder escolher ser fiel ou não à obra original. Para tanto, partem-se das seguintes premissas: um roteiro, adaptado ou não, geralmente, não é considerado uma obra-fim, acabada, pois o roteiro é um texto que existe para ser filmado, para virar um filme. É, portanto, visto como se fosse uma etapa do processo e não uma obra em si, apesar de haver roteiros que já foram publicados por interesses da indústria editorial. A outra premissa é de que tanto o roteiro, como o filme são produtos culturais, feitos por indústrias culturais para obtenção de lucro, afirmação essa feita a partir de Adorno e Horkheimer, em Indústria cultural e sociedade (2009). Tendo em vista essas duas premissas, o roteirista pode ser um refém da indústria cinematográfica, ao ser obrigado a adaptar fielmente uma obra literária para o cinema. Essa fidelidade é extremamente questionável, mas muito exigida tanto por parte da indústria cinematográfica, da indústria editorial e também do público fã de tal obra. Para além disso, o roteirista também pode ter total liberdade para recriar a história e assim transcriar a obra original. As circunstâncias econômicas, de star systens de produtores, diretores e roteiristas também serão levadas em consideração na problematização apresentada, que não pretende analisar este ou aquele filme, mas ter em vista um escopo de filmes e situações diferentes a serem criticadas. |
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| Bibliografia | ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Indústria cultural e Sociedade. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2009. |