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  Título
Adaptações e transcriações nas indústrias cinematográfica e editorial
Autor
Dostoiewski Mariatt De Oliveira Champangnatte
Coautor
Anna Paula Soares Lemos
Resumo Expandido
Escrever um roteiro de cinema adaptado de uma obra literária não significa, simplesmente, transformar em ações as descrições apresentadas no texto ou mesmo manter determinadas situações e personagens para que a fidelidade à obra seja a maior possível. Há a possibilidade de se criar novas ações, suprimir outras e até mesmo juntar várias em uma só, assim como se pode fazer tudo isso com os personagens. O roteirista de um filme adaptado é um tradutor da obra original e, nesse sentido, tal como abordou Haroldo de Campos, em Da transcriação – poética e semiótica da operação tradutora (2011), o tradutor pode ser hiperfiel à obra ou recriá-la, sendo, portanto, um transcriador. Este trabalho pretende discutir o trabalho do roteirista a partir dessa perspectiva, do roteirista como tradutor, e pretende investigar e criticar a ação do mesmo poder escolher ser fiel ou não à obra original. Para tanto, partem-se das seguintes premissas: um roteiro, adaptado ou não, geralmente, não é considerado uma obra-fim, acabada, pois o roteiro é um texto que existe para ser filmado, para virar um filme. É, portanto, visto como se fosse uma etapa do processo e não uma obra em si, apesar de haver roteiros que já foram publicados por interesses da indústria editorial. A outra premissa é de que tanto o roteiro, como o filme são produtos culturais, feitos por indústrias culturais para obtenção de lucro, afirmação essa feita a partir de Adorno e Horkheimer, em Indústria cultural e sociedade (2009). Tendo em vista essas duas premissas, o roteirista pode ser um refém da indústria cinematográfica, ao ser obrigado a adaptar fielmente uma obra literária para o cinema. Essa fidelidade é extremamente questionável, mas muito exigida tanto por parte da indústria cinematográfica, da indústria editorial e também do público fã de tal obra. Para além disso, o roteirista também pode ter total liberdade para recriar a história e assim transcriar a obra original. As circunstâncias econômicas, de star systens de produtores, diretores e roteiristas também serão levadas em consideração na problematização apresentada, que não pretende analisar este ou aquele filme, mas ter em vista um escopo de filmes e situações diferentes a serem criticadas.
Bibliografia

ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Indústria cultural e Sociedade. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2009.

CAMPOS, H. Da transcriação – poética e semiótica da operação tradutora. Belo Horizonte: Viva Voz, 2011.

EARP, F.; KORNIS, G. A Economia do Livro: a crise atual e uma proposta de política. Rio de Janeiro: BNDES, 2005.

LUSVARGHI, L. Book trailers: ficção, autorismo e narrativa transmídia na indústria do audiovisual. In: Revista Logos, v. 20, n.02, 2013.

MATTA, J. P. R.. Políticas Públicas Federais de apoio à Indústria Cinematográfica brasileira: um histórico de ineficácia na distribuição. In: Revista Desenbahia, 2008.