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  Título
A estetização do horror na série Hannibal
Autor
Vanessa Ramos Furtado da Silva
Resumo Expandido
Este trabalho busca compreender o emprego de recursos como luz, cor, objetos de cena e composição na produção de uma estetização do horror na série Hannibal, produzida e exibida pela emissora de televisão norte-americana NBC entre 2013 e 2015. Comparando-a a outras narrativas seriadas audiovisuais que vêm se destacando em função dos seus roteiros e da construção de personagens multifacetadas e complexas, a exemplo de Sopranos, Breaking Bad ou Dexter (CARRION, 2011; MITTEL, 2012; MARTIN, 2013), Hannibal parece investir menos no enredo do que em sua dimensão visual. Curioso, no entanto, é que uma série cuja narrativa de horror se desenrola em torno de um serial killer opte pelo uso de elipses que impedem ao espectador assistir aos assassinatos sendo realizados, e mostrem os crimes somente já depois de praticados.

Tais cenas de crimes exploram, especialmente a partir da fotografia e da direção de arte, uma ambiência que transforma Hannibal numa espécie de “assassino artista”, cujos crimes são verdadeiras obras de arte. Nota-se neste personagem uma dualidade: o homem intelectualmente sofisticado, o psiquiatra de bons costumes, apreciador da alta cultura é também o serial killer que, afetado por seus gostos, prepara partes dos corpos de suas vítimas em receitas refinadas.

Ao longo das três temporadas da série, vê-se assassinatos violentos transformados em cenas de grande beleza em função do modo como são agenciados os recursos cinematográficos acionados pela direção de arte e pela fotografia na composição da visualidade de Hannibal. Percebe-se, na obra, um intuito de mostrar mais do que explicar, um embelezamento da morte. A estetização do horror na série revela uma espécie de “serial killer gourmet”, como se buscará demonstrar com a análise de trechos de alguns episódios da primeira temporada selecionados para exemplificar a discussão aqui proposta. Os trechos incluem cenas ambientadas em diferentes espaços, como o FBI, um consultório, a sala de jantar e a cozinha de Hannibal, a casa de outro personagem, Will Graham, além dos locais onde os crimes aconteceram.

O trabalho, parte da dissertação de mestrado em elaboração junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UNISINOS, se baseia nas contribuições de autores que ajudam a compor o referencial teórico da pesquisa no momento, ancorado em três pilares: televisão (MOLINUEVO, 2011; CARRION, 2011; MITTEL, 2012; MARTIN, 2013), horror (CARROLL, 1999) e visualidade (AUMONT, 1993; AUMONT, 2004; MACHADO, 2007; VARGAS, 2014).
Bibliografia

AUMONT, Jacques. A Imagem. Campinas: Papirus, 1993

AUMONT, Jacques. O olho interminável. São Paulo: Cosac & Naify, 2004

CARRIÓN, Jorge. Teleshakespeare. Ed: Errata Naturae, 2011

CARROLL, Noel. A Filosofia do Horror ou Paradoxos do Coração. Campinas: Papirus, 1999

MACHADO, Arlindo. O sujeito na tela. Modos de enunciação no cinema e no ciberespaço. São Paulo: Paulus, 2007.

MITTELL, Jason. Complexidade narrativa na televisão americana contemporânea.

Matrizes, ano 5, nº 2, jan/jun, 2012.

MOLINUEVO, José Luis. Guía de complejos – Estetica de teleseries. Ed.: Archipélagos, 2011.

VARGAS, Gilka. Direção de arte: a imagem cinematográfica e o personagem. Anais do Encontro Nacional de Pesquisa em Comunicação e Imagem – ENCOI, 2014. Disponível em http://www.uel.br/eventos/encoi/anais/TRABALHOS/GT3/DIRECAO%20DE%20ARTE%20A%20IMAGEM%20CINEMATOGRAFICA.pdf