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  Título
Alberto Cavalcanti: entre a produção e a direção de cinema.
Autor
Tania Arrais de Campos
Resumo Expandido
O objetivo da pesquisa é analisar a figura de Alberto Cavalcanti, cineasta brasileiro que atuou no país sobretudo entre 1949 e 1954, a partir do tensionamento entre as duas principais funções que exerceu: a de produtor e de diretor cinematográficos. Ao olhar principalmente sobre a sua fase brasileira, realçamos seu trabalho enquanto Produtor-Geral da Companhia Cinematográfica Vera Cruz (1949 - 1952) e suas realizações através de produtoras menores, através das quais dirigiu "Simão, O Caolho" (1952), "O Canto do Mar" (1953) e "Mulher de Verdade" (1954). Nessa filmografia observamos uma certa tendência a qual se estende para as produções de outras fases de Cavalcanti, que é a do filme de caráter social, algo a ser cotejado quando relacionado aos momentos enquanto produtor e enquanto diretor. Desde os anos de 1920, em sua fase francesa, na qual realizou seu primeiro documentário, "Rien que les heures" (1926), já delineava uma crítica social da cidade de Paris, sempre tão exaltada em suntuosidade em livros e no cinema. Tal característica fora mais acentuada na sua fase inglesa, nos anos de 1930 e 1940, em decorrência de seu trabalho no General Post Office Film Unit, organismo do governo responsável pela propaganda e educação social, onde atuou principalmente como produtor, chegando a substituir nessa função o reconhecido documentarista John Grierson. A própria carreira europeia de Cavalcanti o levaria à contratação no Brasil, o que nos leva à outras questões adicionadas à discussão, como em torno da função de produtor, a qual ainda poderia sofrer influência de acordo com cada produtora envolvida, fosse a Vera Cruz ou a Kino Filmes, pela qual produziu e dirigiu “O canto do mar”, outra situação particular à observar, Cavalcanti produtor-diretor no mesmo filme. Para uma compreensão mais profunda de tais questões, observamos que o contexto social do Brasil nos anos de 1950, sob interferência da Guerra Fria, compunha um terreno específico no qual tanto a atuação quanto as críticas à atuação de artistas e intelectuais, grupos aos quais poderíamos adicionar ou diferenciar Cavalcanti, desdobravam-se de acordo com as vertentes políticas adotadas. Com tal trajetória e o acúmulo de experiências em ambas as funções aqui discutidas, analisando essa tendência de abordagem à questões sociais, e uma possibilidade de sua construção no percurso histórico de Cavalcanti, buscamos compreender qual o cinema empreendido por ele, em sua forma e conteúdo, e se há diferenças relevantes entre as obras, o que a sua função e o contexto em que ele estava inserido influenciaram.
Bibliografia

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