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  Título
Made in Brazil to the world: cinema brasileiro transnacional
Autor
Erika Amorim Profeta
Resumo Expandido
Sucessos retumbantes de crítica, público e renda, dentro e fora do país, os filmes Central do Brasil (Salles, 1998), Cidade de Deus (Meirelles, 2002) e Tropa de Elite (Padilha, 2007 - 2010) são apontados como representantes do fenômeno acomodado, por alguns autores, sob o termo cinema transnacional.

Esse estudo pretende realizar uma análise sobre a construção das narrativas dos filmes citados, bem como delimitar os programas que ampliam a comunicabilidade dessas obras com o espectador ou apreciador modelo em âmbito universal. Espera-se, dessa forma, que seja possível desenvolver conclusões acerca de tendências partilhadas por filmes numa perspectiva de cinema mundial. Haverá ainda um esforço no sentido de contextualizar as obras estudadas no cenário de desenvolvimento do setor cinematográfico brasileiro, pois, dessa forma, será possível identificar o que esses filmes significaram para o cinema nacional.

Para além da sua origem econômica e sociopolítica, o conceito de cinema transnacional tem se mostrado de grande valor ao desenvolvimento do campo de estudo dos filmes. Em princípio, o termo transnacional pode ser tomado sob a perspectiva das forças globais que conectam pessoas e instituições por meio das nações. Sendo assim, o conceito de transnacionalismo reconhece uma crescente fragilização das soberanias nacionais enquanto instâncias reguladoras em âmbito global. Nesse sentido, a não possibilidade de determinação de uma identidade nacional definitiva para certos filmes simbolizaria a quebra da ligação entre o lugar em que um filme tenha sido produzido e a nacionalidade dos respectivos diretores e atores.

É fato que não se pode considerar esse um fenômeno novo. No entanto, deve-se reconhecer que, na contemporaneidade, as conjunturas econômica e de livre circulação (de produtos, informações, mercadorias e pessoas) refletem no surgimento de filmes com estéticas, narrativas e modos de identificação emocional peculiares. Esse fenômeno revelaria o impacto da associação entre capitalismo e os novos meios tecnológicos de comunicação na composição de um mundo que se conecta cada dia mais.

O conceito de transnacional engloba, portanto, o fenômeno da globalização - que, no campo cinematográfico, se traduziria pela dominação hollywoodiana dos mercados mundiais – e também os movimentos contra-hegemônicos de respostas empreendidos por cineastas oriundos de países que foram colônias e/ou que pertencem ao terceiro mundo. Desse modo, o conceito oferece a possibilidade de um melhor entendimento sobre as formas pelas quais um número progressivo de cineastas tem imaginado os contornos do mundo contemporâneo. Parte-se, assim, da constatação de que esses cineastas têm pensado o mundo sob uma perspectiva global ao invés de elaborá-lo enquanto um conjunto formado por mais ou menos nações autônomas.

Analisar o cinema brasileiro contemporâneo à luz do conceito de transnacionalidade significa, portanto, estar atento a um fenômeno cinematográfico contemporâneo mundial que se fortaleceu também no país a partir da década de 90.
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