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  Título
Os três mundos de Brian De Palma: Inferno, Purgatório e Paraíso
Autor
Matheus Cartaxo Domingues
Resumo Expandido
Brian De Palma nasceu no dia 11 de setembro de 1940, no estado de New Jersey, nos Estados Unidos. No começo dos anos 1960, após descobrir os filmes de cineastas como Orson Welles e Alfred Hitchcock, ele abandonou a faculdade de física para se matricular em um curso de teatro, onde continuou colhendo referências de cinema.



Na década de 1970, De Palma conseguiu inserir-se em Hollywood, no momento em que a maior indústria de cinema mundial, após entrar em crise com a perda para a televisão de um público saturado das fórmulas dos gêneros cinematográficos, passava por uma renovação criativa e apostava em cineastas mais jovens, de cujo grupo, a "Nova Hollywood", ele se tornou um dos principais expoentes, ao lado de Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Steven Spielberg (LIMA & REIS, 2015). Nas décadas seguintes, acumulou sucessos e fracassos de bilheteria e alternou momentos em que esteve sob os holofotes da crítica e outros em que passou despercebido por ela.



Análises feitas sobre a obra de De Palma costumam evidenciar o aspecto autorreflexivo dos seus filmes: fala-se das referências feitas à história do cinema e a cineastas de sua predileção (ANDRADE, 2002) ou ainda a investigações que ele empreende a respeito da credibilidade das imagens (GUIMARÃES, 2014) e da proliferação através das novas tecnologias na contemporaneidade (OLIVEIRA JR., 2014). Ao longo dos anos, portanto, cristalizou-se sobre o cineasta a imagem de um artista eminentemente cerebral. A revisão dos filmes permitiu, porém, a constatação da importância da construção dramatúrgica no interior dos filmes e da unidade temática e conceitual existente entre eles.



Nesses filmes, vemos a representação de ambientes em geral corruptos: a Miami de Scarface, a Chicago de Al Capone em Os Intocáveis, o high school de Carrie - A Estranha, o cassino em Olhos de Serpente. Desses mundos, os protagonistas dos filmes participam ou tentam libertar-se. A partir disso, foi possível estabelecer uma analogia com o universo simbólico definido pela divisão entre Inferno, Purgatório e Paraíso.



Os filmes de Brian De Palma, em função das narrativas trágico-dramáticas neles encenadas, podem ser divididos por entre esses três mundos. A fim de desenvolver essas idéias, pretende-se analisar dois dos seus filmes: Um Tiro na Noite e O Pagamento Final. No primeiro, assistimos à história de um sonoplasta que presencia um crime político o qual ele tenta tornar público, mas fracassa. No segundo, é desenvolvida a história de um gângster que, após deixar a prisão, tenta juntar dinheiro para abandonar de vez, junto com a esposa, a vida de crimes de outrora. Em Um Tiro na Noite, o protagonista tenta liberta-se do Inferno, mas não consegue; em O Pagamento Final, o personagem atravessa o Purgatório para, no momento de sua morte, finalmente vislumbrar uma imagem do Paraíso.



Com essa apresentação, busca-se enfim apresentar uma visão do trabalho de Brian De Palma, um dos mais importantes cineastas das últimas décadas, para além da imagem que dele se convencionou ter.
Bibliografia

ANDRADE, Bruno "Um Tiro na Noite" in Contracampo nº 47. Disponível em: http://www.contracampo.com.br/47/blowout.htm

DELORME, Stephane (1997). "D'une esthétique maniériste" in Au hasard Balthazar n. 2.

GUIMARÃES, Victor (2014). "Um falsário subversivo: Saudações, Olá, Mamãe! e a energia de 68" in Brian DePalma: 24 mentiras por segundo. Curitiba: Caixa Cultural.

LAGIER, Luc. Les mille yeux de Brian De Palma (2008). Paris: Cahiers du Cinéma.

LIMA, Paulo Santos & REIS, Francis Vogner dos (2015). "Nova Hollywood" in Easy Riders: o cinema da Nova Hollywood. São Paulo: Centro Cultural Banco do Brasil.

OLIVEIRA JR., Luiz Carlos (2014). "Brian DePalma: entre a reflexão, o horror e a obscenidade" in Brian DePalma: 24 mentiras por segundo. Curitiba: Caixa Cultural.