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  Título
A crítica de cinema como sistema promotor de crises
Autor
Luiz Gustavo Vilela Teixeira
Resumo Expandido
Pensar a crítica epistemologicamente é um desafio conceitual na medida em que ela própria é uma forma de abordar o mundo, ou, neste caso específico, o cinema. Se a epistemologia é um "discurso sobre a ciência" (JAPIASSU, 1988), ou seja, uma série de parâmetros discursivos que irão mediar a relação entre ciência e o mundo, a crítica se coloca também como um mediador entre o cinema e o espectador, mesmo que tenha suas próprias particularidades independentes da arte ou da cultura a que se refere.



A proposta desta comunicação é apresentar a crítica como uma aproximação epistemológica sobre o cinema que atua na articulação da visão do público espectador diante da obra audiovisual em duas vertentes possíveis. De um lado o gênio do crítico que irá desvendar uma série de significados e relações de sentido da obra em questão, sendo esta a acepção mais comum em relação à reflexão crítica diante do audiovisual. De outro, o sistema social criado pelos diversos textos críticos publicados em veículos gerando um mecanismo de defesa diante de qualquer eventual tendência manipulativa da obra ao fornecer ferramentas de defesa para o espectador.



Através de uma abordagem comparativa dialética, em que a dimensão poético analítica será confrontada com a dimensão de sistema social, será possível fazer uma análise de como a crítica opera como ferramenta de mediação entre público e cinema. Para isso é preciso compreender como estas duas diferentes facetas se manifestam discursivamente.



Para José Luiz Braga (2006), o que importa é a constituição da crítica jornalística de cinema enquanto gênero reconhecível, levando o leitor-espectador a dialogar com a forma do texto e diante dele apresentar uma postura. É menos o impacto pontual de certos textos ou críticos de certos jornais e mais a integração do sistema crítico com a percepção da sociedade em relação à produção cinematográfica. Pensadores mais clássicos, como André Bazin (2014) e Jean-Claude Bernardet (1986), estão mais preocupados em apresentar as balizas para avaliação estética diante do cinema.



O que interessa é refletir sobre a crítica enquanto postura diante do cinema. Como ela própria, se articulando enquanto um sistema social se coloca diante da mídia, mesmo sendo também parte da mídia, para arbitrar o debate cultural. Crítica, portanto, enquanto abordagem epistemológica sobre o cinema. Cabe questionar como ela, a crítica, se manifesta. Quais são as estruturas que fazem da crítica um exercício relevante? Como conciliar o dia a dia da crítica jornalística com o tempo para a devida reflexão, sem perder a sintonia com os acontecimentos? O que é, afinal, uma crítica?
Bibliografia

BAZIN, André. O Que É Cinema? São Paulo: Cosac Naify, 2014.



BENJAMIN, Walter. A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade Técnica in. Obras Escolhidas - Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Editora Brasiliense, 1985.



BERNARDET, Jean-Claude. Sem título. In: CAPUZZO, Heitor (coord). O cinema segundo a crítica paulista. São Paulo: Nova Stella, 1986.



BRAGA, José Luiz. A Sociedade Enfrenta Sua Mídia: Dispositivos sociais de crítica midiática. São Paulo: Paulus, 2006.



JAPIASSU, Hilton. O que é epistemologia. In: Introdução ao pensamento epistemológico. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988.