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  Título
Como ir de um lugar a outro? Cartografias da Baixada cinematográfica
Autor
Liliane Leroux
Resumo Expandido
A partir dos anos 2000, uma nova cena ganha força na Baixada Fluminense, periferia do Estado do Rio de Janeiro, com o surgimento de uma juventude que se relaciona visualmente (cinematograficamente) com a cidade. De lá pra cá, é possível elencar mais de 30 cineastas atuantes na Baixada, alguns com filmes exibidos em festivais (nacionais e internacionais) e em canais de TV. A experimentação do território através da arte, presente em seus filmes, toma para si um posto narrativo anteriormente exclusivo à antropologia ao evocar histórias, expressões, rotinas, circuitos, convenções, cenários, rituais, sentidos e percepções encarnados em um lugar.



Dando continuidade a questões que tenho colocado em debate, apresento para este encontro o work in progress de uma cartografia visual dos trajetos e usos que os cineastas independentes da Baixada Fluminense fazem do lugar, a partir de seus filmes. Os filmes feitos na Baixada por seus próprios cineastas e a antropologia operam por sobreposição nesta pesquisa site-based que desenvolvo no NuVISU – Núcleo de Estudos Visuais em Periferias Urbanas (CNPq/UERJ) e que utiliza o mapeamento em conjunto com a etnografia como métodos de campo para que as relações entre lugar, experiência e sentido possam ser mostradas, e não apenas descritas textualmente. Os mapeamentos são usados como aproximações visuais à experiência vivida (e transformada em filmes) de lugar. Os pontos de vista, cenas, planos, locações e roteiros levantados através da pesquisa etnográfica são introduzidos em sistemas de georreferenciamento baseados na web, que possibilitam reinscrições e palimpsestos pessoais por cima de mapas disponíveis online (como o Google Earth™). Ao mesmo tempo, a partir das novas relações entre antropologia e o estudo da arte, - que implicam em sua mistura com o material que lhe serve de objeto de estudo-, os mapas sofrem intervenções artesanais do pesquisador e dos pesquisados em uma espécie de autoapresentação coletiva, na qual os filmes se transformam em uma ‘auto-etno-cartografia’ do cinema independente da Baixada Fluminense.
Bibliografia

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