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  Título
Políticas de Regionalização Audiovisual no Brasil: reflexões Iniciais
Autor
André Ricardo Araujo Virgens
Resumo Expandido
Este trabalho apresenta reflexões iniciais de um projeto de pesquisa que tem como objetivo analisar a efetividade das políticas que buscam promover a regionalização da produção audiovisual no Brasil, verificando se elas tem efetivamente atingido o objetivo de ampliar e diversificar essa produção.



A despeito de todo o histórico de reivindicações dessa natureza realizada por associações e organização de classe do setor, esse tipo de política acabou ganhando força nos últimos anos com o advento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e da implementação das chamadas políticas de indução regional implementadas pela Agência Nacional de Cinema (Cinema) na gestão do FSA.



Como recorte inicial, apresentamos e discutimos como a Agência Nacional de Cinema tem tratado essa questão, especialmente a partir da adoção de quotas de produção regional e de linhas específicas voltadas para a diversificação dos centros produtores no país.



O Fundo Setorial do Audiovisual foi criado em 2006 e regulamentado em 2007, com o objetivo de estimular a cadeia produtiva do setor audiovisual no Brasil, e que vem se consolidando como o principal mecanismo de fomento público no país. Sua arrecadação anual, atualmente, atinge a marca média aproximada de U$ 300 milhões por ano.



Dados produzidos pela Ancine nos permitem perceber que, mesmo com uma redução aparente, o mercado audiovisual brasileiro ainda é bastante concentrado. Tomando como exemplo o volume de produção cinematográfica no Brasil com apoio público, até 2003 produtoras com sede nos estados do Rio de janeiro e de São Paulo respondiam por quase 100% de toda nossa produção cinematográfica (nesse ano, esse percentual foi de 96,7%). Já em 2015, os dois estados responderam por 80,6% da produção.



Assim, como estratégia inicial para construir essas reflexões, enumeramos os programas e mecanismos adotados pela Agência entre 2008 e 2016 voltados para esta finalidade (incluindo a percepção de como as 14 linhas de fomento atualmente em vigor através do FSA abordam a questão da regionalização), e iniciamos a analisar os resultados efetivos que foram atingidos. E, como parâmetros iniciais, tomamos a evolução ano a ano em relação à quantidade de projetos aprovados em editais, montante investido e produtoras apoiadas, levando em conta sua região de origem.



Reforçando a importância dessas reflexões, vale ressaltar que o Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual Brasileiro, estruturado pela Agência, e que possui objetivos até 2020, aponta como diretriz nº 11 “desenvolver centros e arranjos regionais de produção e circulação de conteúdo audiovisual e fortalecer suas capacidades, organização e diversidade”. E, dentro dessa diretriz, são apontadas 7 metas principais relacionadas à ampliação de participação de obras independentes na programação de TV’s Regionais, à instituição de fundos e linhas de financiamento regionais, à constituição de arranjos regionais, incubadoras e fortalecimento de TV’s Públicas.



E, por fim, é Importante ressaltar que buscaremos discutir as diferenciações em torno das noções de regionalização e desconcentração. Assim, à médio prazo, pretendemos apontar se essas políticas tem promovido, também, desconcentração da produção.
Bibliografia

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