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  Título
Concerto para Super-8
Autor
Patricia Moran Fernandes
Resumo Expandido
Ao longo do século XX uma série de experimentos sonoros e visuais explorando relações entre imagem e o som, sem a presença do texto como guia, tem sido explorados. O cinema experimental e cinema expandido tem resistido ao longo do século a narrar criando ganchos e relações actanciais. Não se trata de uma resistência programática, mas da valorização do “filme como filme” com ênfase em sua matéria, em elementos mínimos deste dispositivo complexo. Essas experiências são antecedentes fotoquímicos e eletrônicos do trabalho com a materialidade e de imagens estruturadas segundo o primado “retiniano”. As plataformas digitais tem propiciado uma profusão de experiências voltadas à criação simultânea de imagens e sons, em diálogo ou contraponto. O crescimento da resposta dos processadores viabiliza caminhos anteriormente imaginados ou projetados no papel .

As obras a serem aqui abordadas são o trabalho em Super-8 da jovem dupla carioca Gustavo Torres e Felipe Nokus. Gustavo Torres tem formação em cinema e em sua trajetória contam diversos projetos musicais . Nokus é designer de formação e como Torres participa em uma série de eventos de artes visuais e música. Em sua pesquisa atual privilegia esmaecimento da imagem, sua impossibilidade de existência ou de visualização, conferindo singular importância à materialidade e à presença dos aparatos produtores de imagem e som. A imagem é manipulada até sua destruição física, poesia do desaparecimento em presença. Os projetores, estão organizados de modo a constituir uma sinfonia. As imagens, encontradas nas feiras de pulgas De São Cristovão, tem padrões cromáticos como ponto de partida para a promoção de uma visita a memórias de quem não as quer. O gesto do catador, do colecionador de quinquilharias sem uso definido, investe em procedimentos de vanguarda, tanto do cinema estrutural, como do minimalismo.

Por outro lado, podemos pensar em sugestão de dramaturgia pela maneira como o som dos projetores é utilizado como trilha sonora. Uma partitura produz um crescendo.
Bibliografia

BERCHMANS, Tony. A música do filme: tudo o que você gostaria de saber sobre a música do cinema. São Paulo: Escrituras Editora, 2012.



BRESSON, Robert. Notas sobre o cinematógrafo. São Paulo, Iluminuras, 2008.



BURCH, Noel. “Sobre a utilização estrutural do som” in: Práxis do Cinema. São Paulo: Perspectiva, 1992.



CAESAR, Rodolfo. O tímpano é uma tela? In: Anais do IV Fórum CLM – USP. São Paulo: Ed. ECA, 2004. Auslander, Philip. 2008. Liveness. Performance in a mediatized culture. 2nd ed. London and NY: Routledge.



Deleuze, Gilles. 1985. A Imagem-movimento. Tradução: Stella Senra. SP: Brasiliense.

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Brasiliense.

Ferraz, Sylvio. 1998. Música e repetição. A diferença na composição contemporânea. SP: educ/fapesp.