ISBN: 978-85-63552-24-2
| Título | A memória da cidade na websérie "Cinema de Rua em Juiz de Fora" |
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| Autor | Valéria Fabri Carneiro Marques |
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| Resumo Expandido | INTRODUÇÃO Os cinemas de rua funcionaram na modernidade como importantes geradores de laços sociais e como articuladores de sociabilidades diversas. Nas cidades em que esta atividade floresceu, como foi o caso de Juiz de Fora (cidade da Zona da Mata mineira), os cinemas influenciaram de forma muito intensa os processos de criação de identidades locais. O estudo deste fenômeno pode, assim, auxiliar a compreender as produções de memórias mobilizadas pelas salas de cinema. No intuito de recuperar um pouco da rica memória audiovisual juizforana o grupo de pesquisa Comunicação, Cidade e Memória da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) tem produzido a websérie Cinemas de Rua em Juiz de Fora. Esta série de pequenos episódios audiovisuais para web trabalha com relatos pessoas que vivenciaram não só o período áureo da atividade exibidora na cidade em tentativa de reconstruir os trajetos imaginários dos frequentadores desses cinemas e as formas de sociabilidades construídas em torno da exibição audiovisual. DESENVOLVIMENTO A memória é mais do que o simples ato de recordar, seus conceitos "Revelam os fundamentos da existência, fazendo com que a experiência existencial, através da narrativa, integre-se ao cotidiano fornecendo-lhe significado e evitando, dessa forma, que a humanidade perca raízes, lastros e identidades" (DELGADO, 2004, p.17). Assim a memória se difere da história pois está mais ligada à ficção, a uma reconstrução que confere importância a algo que passou, atualizando-o. O esforço por rememorar passa pela criação de narrativas na tentativa de significar o passado "A memória é sempre transitória, notoriamente não confiável e passível de esquecimento; em suma ela é humana e social" (HUYSSEN, 2000, p.37). Partindo dessa concepção a websérie "Cinemas de Rua em Juiz de Fora" busca ressignificar a memória juizforana ligada ao audiovisual atualizando-a. A relação de Juiz de Fora com a atividade cinematográfica se estabelece desde os primórdios da sétima arte no Brasil, do cinema dos primeiros tempos . Na cidade teria ocorrido a primeira exibição fílmica do Estado de Minas Gerais no dia 23 de julho de 1897. Dentro do período de recorte desta pesquisa, anos 1950 a 2015, foi verificada a existência de cerca de 18 cinemas de rua. É necessário fazer aqui uma distinção entre os cinemas localizados em prédios comerciais, shoppings centers em sua maioria, locais que Marc Augé (1994) define como não-lugares , e os chamados cinemas localizados em vias públicas, os quais podem-se compreender como espaços de encontro e de sociabilidade (FERRAZ, 2008). Esses cinemas estabelecem uma relação direta com o espaço em que estão inseridos, são lugares de afeto ou "afecção" (DELEUZE, 2002). A partir deste panorama foi a concebida a websérie estudada. A produção da série foi dividida em 3 grandes capítulos: Cinemas da rua Halfeld, outros cinemas do centro e cinemas de bairro. Cada episódio tem como tema central um dos cinemas de rua da cidade. A estrutura central de cada episódio é guiada por um limite de tempo, em geral de 3 a 6 minutos. Atualmente cinco episódios foram produzidos e estão disponíveis no YouTube. O conteúdo é disponível para todo o público e aberto para debates e interação dos espectadores. CONSIDERAÇÕES FINAIS Através desta pesquisa foi possível perceber como os cinemas de rua estiveram presentes na cidade de Juiz de Fora e constituíram muito do imaginário urbano da cidade. A websérie ao recontar as histórias dos frequentadores e trabalhadores desses espaços possibilitou a atualização da memória ligada à atividade exibidora na cidade. Isso pode ser percebido através do acompanhamento das interações dos conteúdos relativos a websérie, onde foi possível observar como a memória desses cinemas desperta um desejo de participação em muitos usuários da rede, em alguns comentários os espectadores chegam a repensar a valorização e o lugar da cultura. |
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| Bibliografia | AUGÉ, Marc. Não-lugares - Introdução a uma antropologia da sobremodernidade. Trad. Maria Lúcia Pereira. 3. ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 1994. |