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  Título
A aldeia das imagens
Autor
Ernesto de Carvalho
Resumo Expandido
A aldeia das imagens



Cena 1: Durante as exibições, em salas de shopping centers, de “Que horas ela volta”, nos momentos em que o filme pareceria querer provocar uma espécie de constrangimento, na forma de um comentário acerca do Brasil contemporâneo e suas transformações sociais, pessoas da alta classe média riam. Riam da cara da protagonista.



Pergunta 1: O que está na tela basta? Será que faz sentido pensar o cinema hoje sem que ele esteja acompanhado de debate? Existe possibilidade de intencionalidade no cinema descolada de vida social?



Cena 2: Um filme realizado em uma oficina de vídeo em uma comunidade Mbyá-Guarani é exibido em um festival de cinema. Logo em seguida um debate insiste sobre a questão do “ponto de vista nativo”. Um investigador insiste que na imagem se revela uma ontologia própria.



Pergunta 2: O que ocorre com a recepção do cinema indígena? Quais os riscos no processo de reconstrução e agenciamento desse objeto artístico?



Cena 3: Um movimento social produz uma série de vídeos para discutir o processo de gentrificação e transformação urbana provocada a partir de interesses privados. Os vídeos utilizam as ferramentas e procedimentos do documentário. Quando assistidos por pessoas que concordam com a gentrificação, eles não parecem críticos.



Pergunta 3: Como provocar posicionamento dentro do documentário mantendo a atitude de uma pedagogia emancipatória?



Cena 4: Produções americanas de grande orçamento retratam aspectos criminosos do governo Estado-Unidense. Em uma cena de Sicário (2015) de Denis Villeneuve, a CIA atravessa a fronteira com o México intervindo diretamente na guerra entre os cartéis.



Pergunta 4: O que exatamente essa aparente transgressão produz no mundo. Se ela não produz nada, como é exatamente que ela não produz nada?



***



Uma certa pedagogia da dissociação tem fundamentado a ideia de um cinema descolado de seu contexto social, de sua circulação, de sua apropriação, de sua vida. A aldeia das imagens pretende criar itinerários de situações na tela e fora da tela para recusar de diversas formas essa ideia de cinema, e indagar o que sobra.
Bibliografia

FROGER, MARION, Le cinéma à l’épreuve de la communauté (2010)

RANCIERE, JACQUES, O espectador emancipado (2009)

BRASIL, ANDRE, "DESMANCHAR O CINEMA: VARIAÇÕES DO FORA-DE-CAMPO EM FILMES INDÍGENA" (2016)