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  Título
O caso Charlie Hebdo através do telejornal infantil “Journal Junior"
Autor
Mariana de Souza Gomes
Resumo Expandido
Decerto, algumas imagens podem perturbar as crianças, sobretudo aquelas que ilustram imagens chocantes da realidade, encontradas nos telejornais, por exemplo. É também através da televisão que uma criança pode entrar em contato com outras sociedades e culturas, podendo estabelecer uma ideia de mundo e como se sociabilizar através do mesmo.

Através deste mote, um telejornal infantil foi criado em 2014 pelo canal franco-alemão ARTE. Este telejornal é direcionado ao público infantil de 8 a 13 anos e tem duração de quinze minutos, sendo apresentado nas manhãs dominicais na França. Através do Journal Junior, um quadro com o perfil de uma criança em alguma parte do mundo e informações da atualidade são discutidas e apresentadas às crianças de forma didática; temas estes como o combate ao vírus Ebola e até mesmo o caso do atentado ao jornal Charlie Hebdo. Desta forma, como um acontecimento trágico é mostrado para crianças? Que tipo de informação e escolha de imagens pode ou deve ser mostrado em um telejornal infantil?

Nesta presente comunicação, pretendo analisar em um primeiro momento o conceito de “promessa” (Jost, 2004) realizado por este programa infantil, que estabelece uma ligação entre os dois comunicantes, bem como a linguagem adotada pelos jornalistas e pela produção deste programa. As imagens presentes neste programa também são meu objeto de estudo nesta pesquisa, fundamentado através da regra 3-6-9-12 de Tisseron (2014) sobre o tipo de imagens às quais crianças se veem confrontadas através da multiplicidade de telas.

Em um segundo momento, pretendo analisar igualmente o conceito de programa cultural e de televisão educativa, que muitas vezes se traduz por uma hiperpedagogia nos programas infantis. Para tal, guiarei minha análise à luz de Camille Brachet (2010), Duek (2014) e Machado (2009).
Bibliografia

BRACHET C. (2010) Peut-on penser à la télévision ? La Culture sur un plateau. Paris : Le Bord de l’Eau, INA.

CHESNEL S. Tablettes numériques pour tous au collège: la fausse bonne idée? L’Express, Paris, p. 5, 30 sept. 2014.

DUEK, C. (2014) L’enfance, la télévision et l’Etat argentin : Une discussion sur la qualité des programmes télévisés pour enfants. In : JOST, François. Pour une télévision de qualité. Paris : INA, pp. 207-218.

JOST, F. (1997). La promesse des genres. Réseaux, 15 (81), 11-31.

JOST, F. (2004). Seis lições sobre televisão. Porto Alegre: Sulina.

KAISER, A. (Producteur). (2015, Janvier 11) Arte Journal Junior. [Programme de télévision]. Paris et Berlin, Arte: service public.

LEMISH, D. (2007) Children and Television: A Global Perspective. Oxford: Blackwell Publishing, 2007.

MACHADO, A. (2009) A Televisão levada a sério. São Paulo: Editora Senac São Paulo.

TISSERON, S. (2014) 3-6-9-12 : Apprivoiser les écrans et grandir. Toulouse : Editions Erès.