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  Título
OS MULTIPLEXES DE CAMPINAS NO CENÁRIO DE PÓS-DIGITALIZAÇÃO
Autor
Eduarda Wilhelm Possenti
Resumo Expandido
Nos encontramos em um estágio de pós-digitalização onde surgem novas demandas e discussões sobre as formas de circulação do audiovisual e configurações das salas de cinema. Nesse cenário tecnológico e de consumo, que se modifica muito rápido e está em constante transformação, é preciso investir cada vez mais em novos conteúdos e novos atrativos para a exibição cinematográfica. Gatti (2014, p. 4) afirma que “este tipo de profusão tecnológica, contraditoriamente atende aos imperativos concentracionistas da indústria, no âmbito do mercado de salas”. Por outro lado, essas especificidades que as empresas dispõem em cada sala são uma forma de se diferenciarem no mercado e atrair o público com um cardápio de opções para o espectador escolher como assistirá o filme de acordo com o seu desejo de fruição coletiva e imersão.

A partir disso, propomos observar essas diversas tecnologias de projeção e modernos complexos instalados em Campinas, metrópole regional do interior de São Paulo. Questionaremos como a indústria de exibição de filmes se comporta no cenário de polo tecnológico do município e como as características do município influenciam no modelo de negócio dessas empresas. Segundo Bertini (2008), as ações da indústria cinematográfica dependem de fenômenos microeconômicos como o domínio da base tecnológica, a organização empresarial, o controle de mercado e o grau de competitividade. Todos esses fatores podem ser observados no sistema multiplex de exibição e nas empresas exibidoras que compõe o cenário de Campinas, que possui uma grande variedade de empresas exibidoras e grandes redes nacionais.

São oito complexos de exibição cinematográfica (um fechado temporariamente) que atendem ao circuito comercial e estão localizados em shopping centers, tendo uma das melhores relações de habitantes por sala de exibição do país. Cada empresa exibidora criou sua marca própria de salas, que reúnem determinadas características para se ter um complexo moderno em termos de projeção. Conforme Luca (2000), as salas de exibição precisam de técnicas mais sofisticadas para se destacarem diante da exibição doméstica. A cidade tem, por exemplo, a única sala de tecnologia IMAX administrada pela empresa Kinoplex, uma das maiores do ramo. O sistema de salas de luxo, chamadas de VIPs, é empregado por quatro empresas exibidoras em Campinas. A Cinemark possui duas salas com poltronas D-BOX, equipadas com sensores eletrônicos que simulam vibrações, quedas e trepidações sincronizadas com o filme. Um mesmo título pode estar sendo exibido em uma sala tradicional, em outra 3D e em uma sala VIP, por exemplo, permitindo que um complexo grande oferte uma considerável lista de opções para assistir a um filme. Consequentemente, as possibilidades de valores do ingresso também são diversas.

Tendência da economia contemporânea, a diversificação de produtos se alia a individualização do consumidor (ANDRÉ, 2017). Há uma apropriação dos multiplexes por marcas que promovem a imersão do espectador e que, ao mesmo tempo em que deveriam proporcionar a invisibilidade do aparato, também buscam a potencialização dele. Por ser um município de população com renda acima da média, Campinas atraiu grandes investimentos no parque exibidor, sendo apontada como uma cidade com bons resultados de bilheteria, o que facilita a oferta de salas de exibição com tecnologias e serviços diferenciados. Os complexos que mais investem nisso são aqueles que estão localizados em regiões privilegiadas e pontos de acesso estratégicos, com população de classe alta e que atraem não apenas público local, mas também regional. O cenário de exibição da cidade não está saturado em inovações das salas, outra onda de expansão do circuito parece ser possível em termos de demanda e de espaço no mercado. Mas, o recuo recente de uma das empresas exibidoras da cidade também demonstra que o setor não é inatingível e possui os seus desafios para conseguir se manter.
Bibliografia

ANDRÉ, Thiago Afonso de. Cinema digital: a recepção nas salas. 2017. 285 f. Tese (Doutorado em Meios e Processos Audiovisuais) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.



BERTINI, Alfredo. Economia da cultura: a indústria do entretenimento e o audiovisual no Brasil. São Paulo: Saraiva, 2008.



GATTI, André Pierro. Algumas teses sobre o fim da era 35 mm no Brasil (1997-2014): novos problemas sobre a ocupação do mercado. In: I JORNADA INTERNACIONAL GEMINIS: ENTRETENIMENTO TRANSMÍDIA. Anais eletrônicos… São Carlos: UFSCar, 2014. Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2017.



LUCA, Luiz Gonzaga Assis de. A sala de cinema: critérios para uma sala de exibição moderna. Dissertação (Mestrado em Artes) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.