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  Título
Narrativas sociais no Cinema popular da Guiné-Bissau
Autor
Paulo Cunha
Resumo Expandido
No pós-independência, o cinema foi uma importante ferramenta para construir e consolidar uma identidade colectiva para a Guiné-Bissau, justificando a criação do Instituto Nacional de Cinema (1978). Décadas volvidas, o cinema guineense foi perdendo protagonismo e pertinência política e social, ao ponto de não existirem actualmente estruturas convencionais de produção, distribuição e exibição cinematográfica.

Na situação actual, o cinema sobrevive numa lógica informal e alternativa em relação aos meios mais convencionais, reconfigurado graças aos novos meios digitais e influenciado pelas práticas produtivas de países africanos com iguais limitações e condicionalismos técnicos e financeiros, nomeadamente Nollywood.

Se filmes como O Regresso de Cabral (1978, Sana Na N’Hada), Mortu Nega (1987, Flora Gomes) e Xime (1993, Sana Na N’Hada) foram documentos importantes para consolidar uma narrativa nacional que passava pela memória da luta contra o colonizador pela independência, o que narram agora filmes de produção amadora ou semi-profissional como Baasal ittat Dimaagu (2003, Mamadu Candé), Clara di Sabura (2011, Carlos Lopes), Polícia à tras dos Os como é que é (2013, Umaro Tcham), Cassamenti di Interessi (2014, Rainel dos Santos) ou A Lei da Tabanca (Bigna Tona Ndiba, 2016)?

O propósito deste trabalho é identificar as principais narrativas sociais do cinema Bissau-guineense popular produzido no séc. XXI, nomeadamente qual o lugar da mulher, da autoridade, do trabalho e da política na sociedade Bissau-guineense contemporânea.
Bibliografia

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