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  Título
“Entre o Norte e o Sul. Entre o quente o frio. Nada é tão simples”:
Autor
Jusciele Conceição Almeida de Oliveira
Resumo Expandido
Os cinemas africanos não deveriam se tornar uma exceção, um desvio, como desejava o cineasta e crítico senegalês Paulin Soumanou Vieyra, no livro "Le cinéma africain: des origines à 1973" (1975). Trata-se um clássico sobre os cinemas africanos, não só por ser o primeiro livro sobre a temática, como também por ser escrito por um africano que propõe apresentar os cinemas da África, numa perspectiva historiográfica de cada país do continente; o que o torna didático, visto que destaca os cinemas e os cineastas nacionais de 35 nações africanas. Entretanto, com mais de cinquenta anos do lançamento do primeiro longa-metragem de ficção realizado por um africano, em solo africano, da África Negra, La noire de... (1966), de Ousmane Sembène, os filmes africanos continuam com dificuldades de classificação, de ultrapassar temáticas e críticas limitadoras, estereotipadas e eurocêntricas; de enquadramento teórico, de consolidação de novas estéticas, justificando assim o talvez do título, em consequência de ainda exigirem-se dos cinemas africanos modelos, paradigmas, procedimentos e critérios que estão relacionados com as primeiras produções cinematográficas africanas. Nesse sentido, o presente texto: "“Entre o Norte e o Sul. Entre o quente o frio. Nada é tão simples”: reflexões históricas, teóricas, temáticas e estéticas, talvez, contemporâneas sobre cinemas africanos" apresenta, discute e critica algumas questões, demandas e exigências surgidas nas leituras que abarcam os cinemas africanos, como o enquadramento teórico, que envolvem: terceiro cinema, cinema emergente, cinema com sotaque/accent, cinema mundial e até periférico; divergências sobre nomenclatura, questões de ordem nacional, transnacional, transcultural, locais e globais e aspectos históricos demandas sobre variados temas, enredos, políticas e estéticas que são comuns e muito presentes no debate de ideias contemporâneas, relacionados com os cinemas, que atingem o cinema mundial, a exemplo da África, e, em particular, da Guiné-Bissau, sob o prisma da questão mercadológica, incluindo aí auxílio financeiro para produção de filmes. Tal prática pode ser entendida como uma nova forma de colonização, ou neocolonialismo, na distribuição desses filmes em outros países pelos festivais internacionais de cinema; na interrogação da sua qualidade em busca do autenticamente africano, da africanidade, do exótico, do insólito, em certa medida dilemas paradoxais, como as relações entre modernidade e tradições e da escolha do idioma, para poder assim instituir novas fronteiras, novos espaços, novos discursos, novas estéticas, buscando construir e consolidar a história dos cinemas africanos, por intermédio de filmes e da trajetória autoral de seus cineastas.
Bibliografia

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VIEYRA, Paulin Soumanou (1975). Le cinéma africain: des origines à 1973. Paris: Editions Présence