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  Título
BLACK PANTHER (2018): O RENASCIMENTO DA NEGRITUDE E DO PAN-AFRICANISMO
Autor
Jéssica Fabrícia da Silva
Resumo Expandido
Esse trabalho pretende analisar a construção dos movimentos Negritude e Pan-africanismo na obra cinematográfica Black Panther (2018), do diretor Ryan Coogler. De antemão, pode-se já afirmar que não foi a esmo a escolha do mês de lançamento da película – fevereiro de 2018 –, já que esse mês é conhecido, nos Estados Unidos, como o mês de celebração da cultura e história negra (Black History Month). Além disso, deve-se pensar também na trilha sonora do filme como componente essencial para o projeto Motherland – como toda a filmagem do filme foi nomeada para que nada fosse revelado antes do lançamento –, pois, dessa forma, torna-se crucial a escolha do rapper Kendrick Lamar, conhecido por se posicionar em diversos momentos contra o racismo em solo estadunidense, para ser o produtor da trilha sonora. Enfim, percebe-se, então, que apesar da personagem ser um super-herói, o filme tenta se construir como um paradigma para negros de todo o mundo. Ao optar por esse caminho, a película prioriza uma espécie de renascimento de dois movimentos sociais que pensavam — e pensam — nas condições do indivíduo negro em África e em diáspora: o Pan-africanismo e a Negritude. Ambos nasceram fora do continente africano — o que causou, em alguma medida, uma certa espécie de exotismo às avessas. Entretanto, não se pode deixar de falar que os dois posicionamentos suscitaram aos países africanos as condições de se rebelarem contra os invasores e conquistar suas independências. Além disso, é nítido, no enredo do filme, a transposição de duas personagens históricas e caras para o movimento negro estadunidense – e mundial: Malcolm X e Martin Luther King, criando, dessa forma, uma dicotomia mal formulada dentro da narrativa fílmica, pois é sabido que Luther King foi um grande pacifista na luta contra o racismo, enquanto Malcolm, em um primeiro momento, defendeu a separação entre brancos e negros. Assim, tem-se no vilão Erik Killmonger – interpretado por Michael B. Jordan – todo o posicionamento tido como radical da primeira fase de militância de Malcolm X, enquanto Luther King pode ser visto no super-herói T’challa ou Pantera Negra – interpretado por Chadwick Boseman. Vale evidenciar, ainda, que na construção da personagem Killmonger é nítido, em diversos momentos, o discurso de Frantz Fanon em Os condenados da terra (1968), embora este seja, assim como a figura de Malcolm X, deturpado e problemático. Desse modo, para compreender a problemática do renascimento dos discursos Negritude e Pan-africanismo, utilizar-se-á os teóricos Stuart Hall (2009), Kwame Anthony Appiah (1997) e Achille Mbembe (2017).
Bibliografia

APPIAH, K. A. Na casa de meu pai – a África na filosofia da cultura. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.



FANON, F. Os condenados da terra. Trad. José Laurênio de Melo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.



HALL, S. Da diáspora – Identidades e Mediações Culturais. Org. Liv Sovik. Trad. Adelaine La Guardia Resende. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009.



MBEMBE, A. Crítica da razão negra. Trad. Marta Lança. 2.ed. Lisboa: Antígona, 2017.