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  Título
O Cinema de Marta Nassar e Jorane Castro
Autor
Alexandra Castro Conceicao
Resumo Expandido
Há um crescimento das produções cinematográficas paraense, que inicia com filmes naturalistas, mas que posteriormente apresentam uma evolução estética e artística, contudo se verifica que estas produções são marcadamente realizadas por homens, os quais são em maior número no mercado não apenas mundial, nacional, mas regional também.

Atualmente, cineastas como Marta Nassar e Jorane Castro são realizadoras de grande importância para o cinema paraense não apenas como um marco de excelentes obras fílmicas, como também na realização destas, que propiciam o desenvolvimento do campo cinematográfico e audiovisual paraense, levando o nome não apenas do cinema paraense para além dos limites territoriais do Estado, mas levando a produção realizada por mulheres para além das fronteiras, tornando-se também um expoente não apenas do cinema local, mas nacional, além de se tornarem exemplos e incentivo para outras mulheres em um mercado que é marcadamente dominado por homens.

Marta Nassar iniciou a sua carreira como cineasta nos anos 90, dirigindo e escrevendo o roteiro do curta de ficção “Nayara, a Mulher Gorila”, que recebeu diversos prêmios em festivais, além de ter participado de vários festivais internacionais. Posteriormente, realizou o curta “Quero ser anjo”, obra que traz o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, como plano de fundo. Este filme tem no elenco o ator Cacá Carvalho. Contudo, sua última obra fílmica foi em 2005, a “Origem dos Nomes”, obra sobre a linguagem visual da pintura corporal realizada pelos índios Kayapó-Xikrin, que são utilizadas como meio de comunicação e expressão entre estes. Todas as obras de Marta foram filmadas em 35mm.

Jorane Castro tem uma carreira dedicada ao cinema, sua formação acadêmica é voltada para a área cinematográfica, tendo estudado nas Universidade de Paris, Universidade de Paris 8, e Universidade Federal do Pará. Também é professora, no curso de graduação de cinema e audiovisual, da UFPA, além de ter participado da fundação deste. Jorane iniciou sua carreira como cineasta em 2000, com o curta-metragem “Mulheres Choradeiras”, que foi premiado em festivais nacionais e internacionais. Esta obra é baseada no conto homônimo do escritor Fábio Castro. Filme realizado em 35mm. Posteriormente realizou os filmes, todos em vídeo: “Invisiveis Prazeres Cotidianos”, 2004, documentário que é um retrato de Belém sobre a ótica de jovens blogueiros da cidade; “Mulheres de Mamirauá”,2008, documentário que trata sobre mulheres residentes da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá; “Quando a chuva chegar”, 2010, obra ficcional; “Ribeirinhos do Asfalto”, 2011, que trata sobre uma família de ribeirinhos, que mora na Ilha do Combú. “Ribeirinhos do Asfalto” participou de diversos festivais nacionais e internacionais, recebeu diversos prêmios e conta com a atriz Dira Paes no elenco; “O Time da Croa,2014, obra experimental; E o seu mais recente filme, o longa-metragem “Para Ter Onde Ir”,2016, que fala sobre três mulheres que têm diferentes perspectivas e visões sobre a vida e amor, mas que seguem juntas numa viagem de carro que sai de um cenário urbano em direção à natureza. Filme realizado em digital, que vem percorrendo festivais e mostras nacionais e internacionais e tem recebido diversos prêmios.

A obra “Para Ter Onde Ir”, de Jorane Castro, é o primeiro longa-metragem paraense a ser realizado por uma mulher no Estado, além de ser a retomada do mercado e a volta do Pará ao cenário nacional e internacional de filmes de longa-metragem, pois os últimos filmes lançados foram as obras de Líbero Luxardo, nos anos 60 e 70. Ou seja, não é apenas um marco no cinema paraense, mas um marco para as mulheres, profissionais do cinema e do audiovisual no Pará. Portanto, diante o exposto é de suma importância pesquisar, registrar e documentar a participação dessas realizadoras e de suas obras cinematográficas, para que se dê a devida relevância ao papel e a participação da mulher no cinema não apenas paraense, como nacional
Bibliografia

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VERIANO, Pedro. Fazendo Fitas - memórias do cinema paraense. Belém: EDUFPA. 2006.

VIEIRA, Monica. As Mulheres Choradeiras: Literatura e Cinema. Disponível em: