Voltar para a lista
 
  Título
EU, A PIOR DE TODAS: UMA RELAÇÃO ENTRE CINEMA E FEMINISMO
Autor
Priscila Rigoni
Resumo Expandido
Este trabalho é um recorte de um projeto de pesquisa, que propõe investigar a relação entre cinema e feminismo nos filmes produzidos pela diretora argentina María Luisa Bemberg. Este recorte abordará o filme “Yo, la peor de todas”, um drama de 1990, que retrata a vida de Juana Inés de la Cruz, considerada a primeira mulher intelectual da América Latina. A narrativa se passa no século XVII, quando México ainda era colônia da Espanha, e a sociedade era regida por imposições da igreja e da monarquia. Juana Inés de la Cruz vivia em um ambiente misógino e opressor, mas recusou-se a casar, em troca de sua liberdade intelectual, apaixonada por livros, achou que a melhor maneira de aproximar-se dos estudos era tornando-se freira. Nos vinte anos em que ela passou no convento, se dedicava para astronomia, artes e escrevia versos, poemas e músicas, porém, em uma época em que o acesso ao conhecimento era reservado exclusivamente para os homens Juana Inés de la Cruz sofria com hostilidades.

A metodologia da pesquisa proposta é qualitativa, com base na captura de quadros fixos de imagens (fotogramas) e análise destes. Aumont e Marie (1993, p. 82 - tradução minha) afirmam que o fotograma é “[...] a menção mais literal de um filme que se possa imaginar, já que está extraído do próprio corpo desse mesmo filme”. Para esses autores, pausar uma imagem em fluxo contínuo propicia uma análise mais densa sobre enquadramento, profundidade, composição, iluminação e movimento de câmera. Sendo assim, é possível verificar melhor os personagens, os gestos, as mímicas e as situações propostas pelas narrativas.

O feminismo cinematográfico surgiu no século do cinema, e se tratavam de grupos de conscientização ativistas, que, inicialmente, enfocavam em denunciar as imagens cinematográficas que transmitiam mensagens negativas das mulheres, isso era feito com o objetivo de transformar, não somente o âmbito teórico do cinema, mas também as relações que se baseavam na lógica da sociedade patriarcal. (STAM, 2003).

Para Wollstonecraft (2016), é perceptível que em várias comunidades é naturalizada a superioridade masculina, o que gera uma situação de desigualdade, muitas vezes colocando as mulheres em situação de vulnerabilidade aos vários tipos de violências, sejam elas físicas, simbólicas ou verbais. Para Saffioti (2015, p. 18) entende-se por violência a “ruptura de qualquer forma de integridade da vítima: integridade física, integridade psíquica, integridade sexual e integridade moral”. A partir disso, propõem-se os seguintes questionamentos: como as relações entre cinema e feminismo são propostas nos filmes da diretora María Luisa Bemberg? Como as personagens mulheres são retratadas nessas narrativas?
Bibliografia

AUMONT, J.; MARIE, M. Análisis del film. 2. ed. Barcelona: Paidós, 1993.

SAFFIOTI, Heleieth. Gênero, patriarcado, violência. Expressão Popular. 2. ed. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2015.

STAM, Robert. Introdução à teoria do cinema. São Paulo: Papirus, 2003.

WOLLSTONECRAFT, M. Reivindicação dos direitos da mulher. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2016.