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  Título
RETROTOPIA E O DIACRONISMO EM IMAGENS: MIRADAS POLÍTICAS SOBRE O ...
Autor
WLADIMIR BLOS
Resumo Expandido
RETROTOPIA E O DIACRONISMO EM IMAGENS: MIRADAS POLÍTICAS SOBRE O MOVIMENTO ESTUDANTIL D’ANTAN.

Professor Wladimir Blos¹ .

Resumo.

Neste artigo propomos uma leitura crítica sobre imagens e experiências dos movimentos estudantis em "Maio de 1968", na França, e àquelas vividas pelo autor quando dos embates encabeçados pelo Movimento Estudantil no cenário político em mutação do Brasil da década de 1980, em Santa Maria (RS). Para tanto, a metodologia será uma etnografia visual (CRAWFORD & TURTON, 1995; BARBASH & TAYLOR, 1997) sobre as imagens dos protestos e seu cotejamento com as noções de retrotopia (BAUMAN, 2017) e diacronismo (BRAUDEL, 1984), respectivamente, na política e na história. Haverá um aporte dos parâmetros da antropologia visual (UNESCO, 1962). Ao analisar os documentários, far-se-á uma contextualização com as frutíferas discussões que brotam do livro “Antropologia Estrutural” do antropólogo Lévi-Strauss (2013) aos olhos e reações do historiador Braudel (1984), cujas ponderações aparecem no livro “As Ciências Sociais e a História”. Como "la noblesse oblige", os luminares autores nos legam um elaborado arcabouço teórico no que tange ao lapso temporal nas ciências sociais, com o fim de sinalizar que, tal qual placas tectônicas, a sociedade se move no campo político dinâmica e dialeticamente. O ressurgimento do Movimento Estudantil no Brasil nos remete a um saudosismo retrotópico, quiçá utópico, de vencer uma realidade social de um Brasil politicamente distópico. Um Estado governado por anacrônicas oligarquias conservadoras que sempre tomaram o poder político para si na intenção de manter seus privilégios consagrados a séculos. Como a imparcialidade do autor ou do cientista social é uma quimera, minha formação como antropólogo me remete à antropologia da experiência (TURNER & BRUNER, 1986), trazendo à luz minha memória como estudante da UFSM, um militante e observador de um momento de resistência e aparente arejamento da política brasileira. Ingenuamente acreditávamos que estávamos labutando por um futuro próximo menos desigual. As imagens traduzem essas pulsões. Os resultados desejados deste artigo não são ambiciosos. Se lograrmos mostrar que a democracia se traduz pela participação e pela livre oposição, pela resistência ao que é imposto, que paralisa e anula o agente de transformação, na contramão do que idealiza a nova esquerda, uma vez que, como assinala Safatle (2008; 2015), se alicerça na igualdade radical entre os sujeitos, na livre expressão e na participação nas politicas sociais que o Estado deve atender. Retrotopia: resgate de paixões reveladoras nas imagens d’antan.

¹Doutor em Antropologia das Formas Expressivas – Performance e Drama Social (USP). Bacharel em Comunicação Social (UFSM). Professor Adjunto do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Ilhéus (BA). Área de Ciências Sociais (Antropologia e Política). Campos de interesse: Antropologia Política e Etnomidiologia das Sociedades Distópicas na Ficção; Performances Culturais. Contato: wsblos@uesc.br.
Bibliografia

BARBASH, I. & TAYLOR, L. (orgs). Cross-Cultural Filmmaking. Berkeley: University of California Press, 1997.

BAUMAN, Z. Retrotopia. Rio de Janeiro: Zahar, 2017.

BRAUDEL, F. História e Ciências Sociais. Lisboa: Presença, 1986.

CRAWFORD, P. & TURTON, D. (orgs). Film as Ethnography: Manchester: Manchester University Press, 1995.

LÉVI-STRAUSS, C. Antropologia Estrutural. São Paulo: Cosac Naif, 2013.

SAFATLE, V. Cinismo e Falência da Crítica. São Paulo: Boitempo, 2008.

SAFATLE, V. Circuitos dos Afetos. Corpos Políticos, Desamparo e o Fim do Indivíduo. São Paulo: Cosac Naif, 2015.

TURNER, V. & BRUNER, E. The Anthropology of Experience. Chicago: University of Illinois Press, 1986.

UNESCO. Cinéma et Sciences Sociales. Paris: UNESCO, 1962.



Documentários diversos.