Voltar para a lista
 
  Título
O Processo (ou ¿Pandora: Do Digital Aesthetics Dream of Mouldy Cloud?)
Autor
MILENA SZAFIR
Resumo Expandido
“objetos terríveis [...] a produção da mais potente emoção” (Burke apud Szafir, 2015).



Estamos em 2054, a nuvem é uma caixa de pandora. Dentro há um arsenal de imagens e sons de junho-julho de 2013 e março-abril de 2015 ocorridas aqui em Fortaleza (Ceará-Brasil). Cada grupo buscará e selecionará um mínimo de três vídeos. Tais “videogramas de uma revolução” deverão ser devidamente “backupeados”, organizados e decupados em planilhas para compartilhamento entre os demais grupos.



#INSERT2017: captação com duas ou mais câmeras de uma entrevista com participante de alguma “Ocupação 2016” (a jovem geração) e/ou sobrevivente do recente período ditatorial (1964/1968-1984) em nosso país.



Estamos em 2018. O “futuro” chegou: século XXI. Recebemos imagens e sons das #ocupações e #manifestações ocorridas ao longo dos últimos cincoenta anos (Paris, Praga, RJ, SP e diversas outras localidades ao redor do mundo).



A partir desse exponencial banco-de-dados (arquivos entre o que há hoje online e o que deva haver ainda nas alcovas do saber offline), cada grupo desenvolverá uma pílula-ensaio de vertente “pós-histórica” (escrita audiovisual pós-fotográfica em curtíssima duração).



Vivemos no futuro de um passado recente engramatizado em nossas memórias. Tomando isso como um princípio (um dado, dado), nos encontramos frente a algumas questões iniciais a mergulharmos:



1. O que (nos) trazem essas imagens e sons?

2. Como as contextualizamos, hoje, nesse “intenso agora”?

3. Em vista de que tais acontecimentos foram parte de nossas memórias afetivas e/ou coletivas, o que temos a dizer/ dialogar audiovisualmente sobre e com tais materiais?

4. Quais serão as sensações possibilitadas pela arte [ou jogo] na montagem audiovisual?

5. Para qual dispositivo estamos a realizar tal diálogo (onde exibiremos essa nossa retórica audiovisual)?



Cada grupo poderá inserir outras imagens (estáticas ou em movimento) e sons incidentais são bem vindos. Dessa maneira, inúmeras reflexões e aplicações estéticas estarão sob experimentação e expressão ao longo do desenvolvimento desse vídeo-ensaio na cultura digital (diálogos entre traços e rastros, arte da escritura áudio-imagética do pensar).



O remix-textual acima representa parte dos disparadores ao “EX#3” junto aos alunos da “Oficina de Edição e Montagem” (junho/2013 a abril/2018), pela qual fui responsável nos últimos cinco anos em 07 (de 11) turmas nessa disciplina obrigatória de terceiro período.



Gestos da montagem (gestualidades do fazer kinográfico) entre database aesthetics e o ritmo, suspensão e glitch, o choque e o intervalo, sublime e afecções, as fórmulas da paixão (pathosformeln) e o design em movimento.



Através da aesthesis, reflexão e tecnhé, tentei trabalhar (como professora) o “estado-da-arte” do cinema e audiovisual em distintas disciplinas: expressões contemporâneas, educação, imagem, efeitos, cinema e seus autores, videoarte, estética e cibercultura, crítica e curadoria, campo expandido, realização documental, linguagem interativa.



Obras do fantástico ao sci-fi (E.T.A. Hoffman, K. Dick etc) guiaram pedagógicos planos, metodologias entre justaposições cinematográficas, sobreposições tipicamente eletrônicas ou manipulações digitais através de composições áudio-visuais. Vivenciamos experimentações entre o filme-ensaio e o vídeo-remix, chromakey e performance, tipografia cinética e motion graphics, videoclipe e live images (vj'ing), entre mesas de edição linear (TV) e construções de i-docs (web documentários).



A ficção científica e a memória (ou “futuro” e “testemunho”, “ciência/tecnologia” e “arquivo/registro”) permearam exercícios/ desafios na lógica do banco-de-dados, do layout & VFX dentre o que nos engramatiza cotidianamente em paradigma debordiano.



Nos 50 anos de maio de 1968 (e de "2001: A Space Odyssey", Kubrick), peço permissão para um projet'ar: “Stream'engramas de uma revolução, corte#1” (2015/16). A partir do qual interessa-me refletirmos juntos sobre alguns modus operandi da montagem.
Bibliografia

BLUMLINGER. Incisive Divides and Revolving Images: On the Installation Schnittstelle. In:ELSAESSER(org) Harun Farocki. AUP,2004.

BURKE. A Philosophical Enquiry into the Origins of the Sublime and Beautiful. Penguin,1998[1757].

DELEUZE. Espinosa e o Problema da Expressão. SP:Ed34,2017.

GINZBURG. Medo, Revererêcia, Terror. 2014.

KAFKA. O Processo. Círculo do Livro [1920/1946].

MAKELA. Live Cinema. Helsinki Art and Design,2006.

MANOVICH. Visualizing Vertov [goo.gl/J2riNb], 2013.

MICHAUD. Aby Warburg e a imagem em movimento.2013.

SALLES. No Intenso Agora [imdb.to/2jRx3qo], 2017.

SEAMAN. Recombinant Poetics and Related Database Aesthetics.In:VESNA,2007.

SELLIGMAN-SILVA. O Local da diferença. SP: Ed34,2005.

SPINOZA. Ética. 2008[1677].

SZAFIR. Retóricas Audiovisuais 2.1 (TeseECAUSP),2015.

__. #streamengramas de uma revolução .77b [vimeo.com/192542307],2016.

__. Las formas videográficas en la Sociedad del Espectáculo. XV Foro Académico Arte y Diseño Latinoamericano (Festival La Imagen),2018