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  Título
Os cinemas de Vitória da Conquista e o mercado exibidor brasileiro
Autor
Filipe Brito Gama
Resumo Expandido
Este trabalho pretende analisar como o mercado de salas de cinema se constituiu em Vitória da Conquista-BA, estabelecendo uma relação com o que acontecia simultaneamente com o parque exibidor no restante do país. A cidade é marcada pela constante presença das salas de cinemas em sua história recente, que possuíam papel central dentre as opções de divertimento da comunidade. Como indicado na revista Moviola (2003), a primeira experiência com exibição cinematográfica acontece em 1912, com o Cinematógrafo, que assim como ocorria em outras cidades do país, era um espaço precário e não exclusivo para exibição cinematográfica (DE LUCA, 2010). Nos anos seguintes, surgiram iniciativas pouco duradouras, como o Cine Jurandir, o Cine Iris, o Cine Conquista (os três no mesmo espaço) e o Cine Ideal, este pertencente à Empresa Conquistense de Filmes. Mas é a partir do estabelecimento do cinema sonoro que o mercado exibidor se fortalece. Em Conquista, os aparelhos de som chegam ao cinema em 1934, no Cine-Teatro Castro Alves. A cidade vê surgir uma série de outros empreendimentos cinematográficos, de diferentes donos, como o Cine Israel, em 1942 (que viraria Cine Lux e Cine-Teatro Conquista, de propriedade da Empresa de Cinemas Conquista). No restante do país, a estrutura de duopólio existente entre Serrador e Severiano Ribeiro começa a ser ameaçada por partícipes regionais, estabelecendo novas casas nas várias regiões do país. (DE LUCA, 2010)

A década de 1950 marca um crescimento do número de salas comerciais voltadas à exibição de filmes, passando de 927 espaços, em 1950, para 2.114, em 1955 (SIMIS, 2008). Para Vitória da Conquista, é um período que marca o surgimento de importantes cinemas, como o Cine Glória e o Cine Eldorado, ambos com capacidade para mais de 800 pessoas. Na década seguinte, surgem o Cine Riviera e o Cine Madrigal, os dois em 1968. Como aponta De Luca (2010, p. 56), o fim da década de 1960 apresenta um parque exibidor segmento geograficamente e com diversos empresários no ramo. Nos anos 1970 o parque exibidor atinge seu auge no país, consolidando-se como um negócio segmentado e geograficamente descentralizado, com 3.276 salas (1975) divididas nas grandes, médias e pequenas cidades. Conquista acompanha este crescimento, contando agora com cinco cinemas ativos em vários bairros da cidade, todos de propriedade de Nivaldo Araújo: o Riviera, o Glória, o Eldorado, o Madrigal, já existentes, e o Trianon (de 1977) representando o apogeu cultural do cinema na cidade (FERNANDES, 2014).

A crise que assolou o parque exibidor brasileiro nos anos 1980, com a redução de drástica no número de salas, também é sentida em Vitória da Conquista. Em dados gerais, o país passa de 3.276 salas para 1.033, em 1995, fechando especialmente nas periferias e no interior (IKEDA, 2015). Os espaços se tornam cada vez mais precários e pouco atrativos e por motivos diversos o público se afasta dos cinemas. Na cidade, quatro cinemas fecham as portas entre neste período, com exceção do Madrigal, único a sobreviver na década de 1990, sendo gerido pela Art Films, do Rio de Janeiro. O Madrigal fecha em 2001, retornando em 2002 e encerrando definitivamente as atividades em 2007. Neste mesmo período, crescem na cidade o número de videolocadoras e o homevídeo se torna a principal opção de consumo de filmes.

O fechamento dos cinemas de rua e o surgimento de salas em shopping se consolidam especialmente a partir da chegada dos Multiplexes no fim dos anos 1990. O número de salas e complexos volta a crescer nos anos 2000, mas de forma concentrada nas grandes cidades (BARONE, 2008). Conquista acompanha esta nova lógica do mercado com a inauguração, em 2006, de três salas de cinema do grupo Moviecom, no shopping da cidade. Em 2018, o Brasil volta a ter 3.220 salas, número próximo ao ápice de 1975, mesmo ano em que serão abertas 06 salas em um complexo do grupo Centerplex, em um novo shopping, fazendo com que a cidade passe a ter 09 salas de cinema em 02 complexos.
Bibliografia

BARONE, João Guilherme. Sessões do Imaginário. Exibição, crise de público e outras questões do cinema brasileiro. Porto Alegre, nº 20, Dez. 2008.

COSTA, Raquel et. al. Cinema e Cidade. Moviola. Vitória da Conquista, v. I, 2003.

FERNANDES, Cristina Leilane Azevedo. Cinefilia em Vitória da Conquista: Memórias de uma prática cinematográfica. 2014. 140f. Dissertação. Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista-BA.

IKEDA, Marcelo. Cinema brasileiro a partir da retomada: aspectos econômicos e políticos. São Paulo: Summus, 2015.

LUCA, Luiz Gonzaga de. O mercado exibidor brasileiro: do monopólio ao pluripólio. In: MELEIRO, Alessandra. (org.). Cinema e mercado. São Paulo: Escrituras Editora, 2010.

NUDELIMAN, Sabrina; PFEIFFER, Daniela. Novas janelas. In: MELEIRO, Alessandra. (org.). Cinema e mercado. São Paulo: Escrituras Editora, 2010.

SIMIS, Anita. Estado e cinema no Brasil. São Paulo: Annablume: FAPESP, 2008.